Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



Saúde, Ciência, Pesquisa, Arte, Cultura, nossa gente da SMS, e o que mais possa interessar.



Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

whstutz@gmail.com



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Todos
estão convidados a contribuir com informações de interesse coletivo.





sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Combate ao Aedes



Profissionais da saúde e agentes do CCZ reforçam ações de combate ao Aedes

Estratégias de combate são debatidas durante Seminário



Em estado de alerta contra as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, a Secretaria de Saúde reuniu, nesta segunda-feira (16), no Auditório Cícero Diniz, profissionais do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e da rede de saúde para a realização do Seminário "Juntos Contra o Aedes". O evento discutiu as diretrizes para eliminação de criadouros, visando a prevenção e controle de doenças relacionadas, além da importância de uma ação integrada dos órgãos públicos e também da população para evitar um surto, como em 2015, quando foram registrados na cidade 19 mil casos de dengue naquele ano.

O secretário de Saúde, Gladstone Rodrigues, abriu o seminário, falando da relevância do trabalho em conjunto para evitar uma epidemia e reforçou que o desafio neste início de ano é fazer o melhor, mesmo com pouco recurso em caixa, neste momento de insuficiência financeira no Município. Segundo levantamento feito pela equipe do prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, atualmente são 110 funcionários ligados diretamente ao combate do inseto vetor - sendo 40 no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e outros 70 cedidos às equipes do Programa Saúde da Família (PSF) - dos 400 que existiam até 2012. “Temos que trabalhar, mostrando a confiança que sempre tivemos ao realizar o combate ao mosquito, mesmo em um período tão difícil como o que encontramos a saúde de Uberlândia. Se não houver união, uma epidemia afeta todos os setores. Por isso, precisamos ser eficazes, com estratégias inovadoras e, principalmente, envolvendo o público”, afirmou o secretário.

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quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mutirão Cidade Limpa

Mutirão Cidade Limpa recolhe 1.356 toneladas de lixo em quatro dias de trabalho



Foto: Portal da Prefeitura de Uberlândia



Em quatro dias de trabalhos do Mutirão Cidade Limpa, a força-tarefa da Prefeitura de Uberlândia já retirou 1.356 toneladas de lixo das ruas da Zona Leste de Uberlândia. Do total, 125 toneladas correspondem a massa verde, que são materiais orgânicos retirados durante roçagem e capina de canteiros centrais e lotes vagos abertos. As outras 1.231 toneladas são de entulhos recolhidos nas ruas e em lotes vagos.

O objetivo do Mutirão Cidade Limpa é limpar e organizar a cidade com serviços de capina, roçagem, retirada de entulhos, varrição, tapa buracos e sinalização. Segundo o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico, Dorovaldo Rodrigues Júnior, os trabalhos são importantes para garantir a segurança da população de Uberlândia e também para a prevenção de doenças, como a dengue. “Estamos em um momento crítico e propício à infestação do mosquito transmissor da dengue. Temos que prevenir e orientar a população da importância de manter o quintal e os lotes limpos, eliminando locais de possíveis focos da doença”, afirmou.


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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Febre amarela


Mosquito haemagogus é um dos transmissores da forma rural da febre amarela 
(Foto: Reprodução/TV Globo)



O governo de Minas Gerais decretou situação de emergência em saúde pública por 180 dias nas áreas do estado onde há surto de febre amarela. O decreto contempla 152 cidades no entorno de Coronel Fabriciano, Governador Valadares, na Região Leste, Manhumirim, na Zona da Mata, e Teófilo Otoni, no Vale do Jequitinhonha e Mucuri (veja a lista das cidades no fim da reportagem)
Deste total, 10 mortes são consideradas prováveis, pois os pacientes tiveram exame laboratorial preliminar positivo, conforme o último Informe Epidemiológico divulgado pelo governo.

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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Finalmente árvores


Quem me conhece sabe o carinho e paixão que tenho por árvores e bichos, por todos seres viventes.
Certas notícias nos deixam em felicidade plena. NUNCA se plantou tanto em tão pouco tempo. Suba a Nicomedes e observe o canteiro central e depois me conte
agora mais uma boa nova.

Um detalhe. Plantando em época certa e não em secos e tórridos junhos e julhos como muito e tristemente vi.

Hora de protetores, poetas, apaixonados de fato pela vida se unirem ao poder público, apresentarem projetos e muita ação,  chega de cortes absurdos que aconteciam todo dia. É hora de plantar, plantar, plantar!


Programa Buriti trabalha a recomposição da mata ciliar em mananciais

"Na segunda semana do ano, o Dmae encerra um ciclo de plantio de mais de mil árvores. A ação foi realizada pelo Programa Buriti, regulamentado pela lei estadual 12.503 de 1997 e pela legislação municipal 10.060 de 2008, que dá apoio aos produtores rurais na proteção e recuperação de nascentes. As 1042 árvores de 47 espécies foram plantadas em uma área de um hectare de terra, como parte da recomposição vegetal em um trecho onde houve a expansão da Estação de Tratamento de Água do Sucupira.

O plantio, feito na margem esquerda da represa de Sucupira, obedeceu a critérios estabelecidos por órgãos ambientais para assegurar a sobrevivência das mudas. “Cada árvore se desenvolve melhor em um tipo de solo. Para isso, as espécies são classificadas em “A”, “B” ou “C”, de acordo com a umidade que cada uma precisa”, explica Cairo Silva, supervisor de projetos e recuperação de nascentes da Gerência Ambiental do Dmae.

Dentre as mudas plantadas, estão as de Aroeira, Graviola, Jatobá e Ipês de quatro cores. As mudas passarão por manutenções em março, com o coroamento, que consiste em limpar os arredores das árvores, e adubação. Além disso, é colocado um gel na terra que retém a água e protege a raiz em períodos de seca. Em novembro, as operações se repetirão e serão replantadas as mudas que não sobreviveram, aproveitando o período chuvoso.

Fonte Portal da Prefeitura de Uberlândia

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Carnaval em Uberlândia

"Quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé"
Acordei com esse trechinho de Samba da Minha Terra do genial Dorival Caymmi criado em um longínquo 1940.

A polêmica do momento é ter ou não ter carnaval em nossa querida Uberlândia, machucada, tristonha, deitada em leito de UTI em sofrimento depois de tão maltratada, chagas abertas para quem quiser ver.

Em época de vacas magras faz-se festa monumental de aniversário para filho? Acho que não. E por isso deixamos de gostar menos do filho? Nunca. Sim dói, nos sentimos os piores seres do mundo, mas engolimos seco, colheita e fartura virão, assim como aniversários. Conversamos e rola um bolo, se der uma jarra de Q-suco. Muitos parabéns e beijos de verdadeiro amor. Quanto os fatos são explicados, ninguém vai para terapia por conta de uma festa perdida.

Acho até que não sou mal sujeito mas querem saber? Estou momentaneamente doente do pé e muito ruim da cabeça. Não posso imaginar festa em sala de espera de unidade intensiva.

Vamos reerguer nossa amada cidade, vamos devolver à nossa gente a alegria e orgulho de viver em cidade bela, "plena de sol, sem chaminés ou fumaça" como cantando em Terral de Fagner e ai sim festejar com a alegria de tamborins, caixas. Dedos ligeiros a vibrar melódicas cuícas, agogôs e reco-recos.
Surdo e repique a dominar uma avenida vibrante de alegria e com a certeza de poder voltar para casa sem riscos de cair em buracos, que seus filhos estão sendo bem cuidados em creches e escolas públicas de qualidade, que a medicação da avó, da tia do neto, do filho de todos estará nas prateleiras . Utopia? Acho que não, quem viver verá.
Verá muitos carnavais, muitos sorrisos muita alegria.
Hoje não. Tenhamos paciência. O impossível pode-se fazer, milagre demora um pouquinho mais.

Vamos juntos, poder público e nós cidadãos fazer Uberlândia brilhar em carro abre alas e muitos carros alegóricos, muito trabalho pela frente e depois, ai sim muitos carnavais, natais luzes e tais.
Me veio um lampejo. Gostamos tanto assim de carnaval? Está tão entranhado na nossa cultura popular como na Bahia, em Olinda, em maracatus de São Luis, ou o Carnaboi de Manaus?
Ou temos carnaval de rua, blocos, fantasias, alegria espontânea como Ouro Preto, São João del-Rei e tantas outras?

Sem custo, fechar trecho de avenida e pronto o povo faz sua festa sem a dependência paternal do estado. Cria-se nossa Praça Castro Alves e ali, para os que gostam que façam ordeira e pacificamente sua manifestação carnavalesca. As finanças públicas agradecem, e o povo faz a festa.

Sim sou ruim da cabeça quando se trata de assunto que dizem respeito à coletividade. mas recursos públicos para carnaval em plena crise?  Educação, Hospital Municipal a pleno vapor, salários, atendimento integral à população em todas as áreas ai sim. Tudo no lugar então carnavais a mil. Antes? Não mesmo!
Tenham dó. Mão na consciência gente. Mão na consciência

" Este ano eu vou sair de buda
A minha fantasia ninguém muda
Mexe o buda pra cá
Mexe o buda pra lá
O que eu quero é rebolar

A minha fantasia de buda
Foi um presente do sultão de lá
Mas se esse ano chover
A minha buda
Vai encolher "

Marchinha carnavalesca de domínio público antiga que só





Uberlândia 11 de janeiro de 2017


Post Scriptum: Este texto não foi revisado, nasceu assim em desabafo, erros? Me contem por favor

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Calamidade financeira

Após quatro dias de trabalho intenso para apurar a gravíssima situação financeira do Município de Uberlândia e as dívidas deixadas pela administração anterior, o prefeito Odelmo Leão e sua equipe concluíram o levantamento do rombo que aponta mais de R$ 390 milhões negativos nas contas públicas municipais. Os dados foram apresentados à imprensa em coletiva na manhã desta sexta-feira (6).

A Prefeitura também informou que será publicado ato oficial em que decreta estado de calamidade financeira no Município diante desta situação de insolvência entregue pelo governo anterior. O Decreto de Calamidade a ser publicado será enviado à Assembleia Legislativa de Minas Geras (ALMG). A iniciativa vai facilitar o acesso a recursos estaduais e federais para auxiliar na normalização das contas públicas do Município.

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Nova presidente

Por: Agência Fiocruz de Notícias

A Fundação Oswaldo Cruz tem uma nova presidente. Doutora em Sociologia e servidora da Fiocruz desde 1987, a pesquisadora, professora e gestora Nísia Trindade Lima será a primeira mulher a comandar a Fundação, em 116 anos de história. O decreto presidencial com a sua nomeação foi publicado nesta quarta-feira (4/1), no Diário Oficial da União (DOU).

Escolhida pelo presidente da República, Michel Temer, e pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, como a nova presidente da Fundação Oswaldo Cruz na gestão 2017-2020, Nísia Trindade Lima foi a candidata mais votada nas eleições internas da Fiocruz, realizadas em novembro de 2016, com 59,7% dos votos em primeira opção. No processo eleitoral que indica até três nomes para a escolha do Ministério da Saúde, a candidata Tania Cremonini de Araújo-Jorge alcançou 39,6% dos votos em primeira opção.

Durante o processo de escolha da nova presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima definiu dez compromissos centrais para o seu programa de gestão: defender o direito universal à saúde: compromisso com o SUS; promover a ciência, a tecnologia e a inovação em benefício da sociedade; valorizar os trabalhadores e promover relações de trabalho inclusivas e com respeito à diversidade; promover a qualidade e a integração na atenção, na vigilância e na promoção à saúde; fortalecer a saúde na agenda ambiental e do desenvolvimento sustentável; promover educação e divulgação cientifica para a ciência, a saúde e a cidadania; promover a informação e a comunicação como fatores estratégicos do desenvolvimento institucional e como direitos da sociedade; orientar a cooperação internacional para o fortalecimento de sistemas universais de saúde e o desenvolvimento científico e tecnológico; realizar uma gestão democrática comprometida com o papel de instituição pública estratégica de Estado; contribuir para a construção da Fiocruz do Futuro.

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quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Sucateado



O secretário municipal de Saúde, Gladstone Rodrigues, aproveitou a visita técnica realizada, na tarde desta quarta-feira (4), ao Hospital e Maternidade Municipal Dr. Odelmo Leão Carneiro, para pontuar os desafios que a atual gestão municipal enfrentará para recuperar a rede de saúde do Município.

Segundo o secretário, por exemplo, será necessário levantar ao menos R$ 80 milhões para quitar a herança de dívidas trabalhistas e normalizar o abastecimento de insumos (remédios, materiais, dentre outros) às unidades de saúde de Uberlândia. “Só considerando os salários atrasados de dezembro de 2016, bem como 13º, são quase R$ 47 milhões. Em outra frente, para abastecer a rede, dimensionamos um gasto de R$ 2 milhões ao mês. Ou seja, R$ 12 milhões em um semestre. Estamos ainda fazendo levantamentos e, a cada dia, adaptamos os cálculos à uma nova realidade de problemas que são encontrados”, disse Rodrigues, durante a visita, que foi acompanhada pela imprensa da cidade.

Rodrigues destacou que o levantamento sobre a situação da rede como um todo começou pelo Hospital Municipal. Isso devido ao fato de a unidade ser considerada a “espinha dorsal” da Saúde municipal. “O hospital tem um déficit de custeio de R$ 32 milhões. Montante que deveria ter sido repassado em 2016. Algo que, em caráter global, diminuiu em 30% o número de atendimento e procedimentos realizados na unidade”, disse.

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Voltamos

Depois de quatro anos fora do ar, sem divulgar ações de nossa Secretaria Municipal de Saúde estamos de volta a todo vapor.
Os motivos que nos levaram a esta parada não merecem ser nem ser mencionados, todos já sabem.
Começa um período de reconstrução, de retorno.
A nossa eterna paixão pelo fazer renasce!
Feliz ano novo a todos !
2017 é um marco de esperança, de mudanças para melhor!

Palavras de ordem ? TRABALHO DURO, RECONSTRUÇÃO, ESPERANÇA !


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Boi boi



Passou a noite na macega a campear bezerro sobre ano fujão. Como havia emprenhado muito mato adentro o anoitecer o abraçou sem que percebesse. Podia culpar o horário de verão, mas este, ali, não fazia a menor diferença. Nem relógio usava! Galo cantou, pulava da cama para as obrigações da roça. Trato para galinhas e porcos no mangueiro que era um mundo. Apartar bezerro, tirar leite, colocar latão na porteira. Só então tinha tempo para um café forte coado. Deu fome? Merenda. Arroz, feijão com toucinho, um ou dois ovos fritos de gema amarelo ouro, mole por cima. Um suco de tamarindo.

A pasta ainda era do ano passado. Deu sono? Cochilava onde dava. No paiol, na rede da varanda ou até sobre o arreio de cavalo a campear. Horário de verão? Existia isso não. Dormia e acordava com as galinhas, literalmente.

Hora ou outra dava nisso, bezerro fujão, javali empurrado para cerrado atentando suas marrãs no cio, raposa no galinheiro, o obrigava a contragosto, diga-se de passagem, a montar guarita com sua velha flober. Às vezes, dava sorte e comia um javaporco ou mesmo um bruto puro javali na bala. A Florestal permitia. O bicho era invasor, a espalhar-se na velocidade de vôo de falcão-peregrino que, visitante, vem fugindo do frio lá do norte. Carne na lata por muito tempo. Fartura. Raposa não matava não, mas atirava perto para passar susto e ver se não voltava. Dava um tempo, porém, sumido o medo e apertando fome, voltava sorrateira.

E assim, perdido em pensamentos e uma ponta de raiva por conta do sono, abriu o amanhecer no meio do nada. Perdeu a batida do garrotinho. Deu conta de que estava perto da casa do compadre Belarmino. Tocou pra lá.

Encontrou o amigo tirando leite no curral. O sereno da manhã teimava em transformar-se em chuva fininha e fria.

— Dia compadre, andando cedo? — Pois então compadre, correndo batida de boi fujão, noite toda e nada.
 — Passa pra dentro do curral, acabando aqui vamos tomar um café. Você está com cara de cansado. — Não é pra menos compadre, mas fico de cá mesmo. 
— Ara, passa pra dentro do curral homem! 
— Passo não. Se eu pisar aí esse boi me pega. Conheço bem ele. 
— Pega nada sô! Pula pra dentro! — Não compadre, esse danado já correu comigo. Se eu entrar é cabeçada certa.

— O que é isso homem, medo de boi? Tô te estranhando. Aí era demais. Não podia nem fingir medo. Bateu a botina na primeira tábua do curral e fincou os dois pés na lama de dentro.

Foi nada não. Mal sentiu o baque do corpo no chão, o boi de olhos bem abertos, como quem quer mesmo, veio com tudo pra cima dele, que ligeiro negaceou. O bicho foi lá adiante, virou nos cascos e investiu outra vez. Ele negou de lado, já jogando o chapéu na cara do desalmado.

Agora nem se afastou. Só virou o corpo e levou a cabeça do filho do cão à força, que fez vento pertinho dos fundilhos do moço. Deu de banda mais uma vez. A lama espalhava pra todo lado, a cada repicada de casco no chão.

Ligeiro passou, deu volta no corpo, rodopiou em salto único e caiu de lá do curral.

Sem fôlego, agachado com mãos apoiadas sobre as pernas, mal conseguiu sussurrar: — Falei, num falei compadre, que esse excomungado ia me pegar?

—Uai, compadre e pegou?






Jornal Correio em 6 de novembro de 2016

Bichos de verão




Chega a hora e não tem quem segure. O ciclo da vida raramente pode ser interrompido, quando não há interferência humana. O entardecer veio em pintura. Tantos tentaram reproduzir, um ou outro mestre na genialidade na lida com pincéis conseguiu. A maioria falha até em foto. A beleza ali é única, perfeita, imexível. Magri criou, ficou. A língua viva permite. Se fosse um poeta ninguém notaria ou então elogiaria sua “criatividade”. Como foi político, sindicalistas caíram de pau. Gosto de inventar palavras.

O imexível pôr do sol se faz. As primeiras luzes vão se acendendo na calmaria. Pronto, é o sinal. Brotam da terra aos milhares, em um balé confusamente sincronizado no chão e se atiram ao ar. As luzes as atraem e ali rodopiam até cansar. Ao pé de cada poste, um sapo, às vezes, dois. Calmamente, em banquete glutão, empacham-se e ficam mais redondos. Morcegos velozes/felizes soltam gritos de um alegre caçar fartura. É tempo de nascimento de filhotes. Estes virão fortes por mães bem alimentadas. A revoada tem que ser grande, poucos se salvarão. Assim se faz o enredo da vivência.

Nas casas, luzes amarelo fraco transformam o chão e parede em algo possuído. Movimentam-se como se vida tivessem. Hora da farra das Taruíras. Nossas lagartixas exibem barriga imensa de tanto festar. O aviso foi dado, vai chover. Aleluias aprenderam a ler o tempo. Carecendo voar, agora arrumam par para criar família. Não adianta brigar, jogar veneno. O máximo a fazer é desligar luz, aprender a ler os bichos, seus sinais, seus vôos, seus pios, seu andar, seu voar.

Ao amanhecer restarão milhares de asas e pequenos corpos espalhados por toda casa. As formigas, antes do sol se mostrar tímido, entre nuvens, em correria, se apressarão em carregar o máximo do espólio daquela batalha de sobrevivência. A nós cabe tentar varrer os restos. Missão ingrata, asas voam por sobre nós e pousam sem corpos logo ali. Bom seria um aspirador. Pano molhado, balde e muito torcer. Amanhã tem mais.

Estranho, por essas bandas as gentes quase todos, odeiam mandarovás e pouco tempo se tem de apreciar a beleza azul das borboletas imensas, em seu bater de asas silencioso e coreografado em que se transformarão. Esquecem das podas naturais que fazem. Cortam árvores em desverdejamento constante, inquietam a vida, a harmonia em prol de estética ou puro desprezo pelos viventes. Conhecer jeito dos bichos para controlar os das doenças sem matar as nossas borboletas, difícil não farão.

Folhas que abrigam ninhos tombam em tristeza. Mais uma mãe perdeu as crias. Temos abelhas e joaninhas de menos, disse uma amiga virtual que atende pelo delicado nome de Passarinho.
Aleluias. A prometida chuva derrama a cântaros. O ciclo se fecha mais uma vez. Pergunte aos bichos se sabem de horário de verão? As andorinhas migratórias abrem o verão. Uma só? Milhares. No velho mundo adoradas, aqui odiadas, “sujam” muito.

Pare um dia. Observe a chegada delas e a sincronia de um voar. O belo nos foi dado, basta querer ver. Hoje deve chover. Agradeça a sorte de poder se molhar. Aproveite o dia.






segunda-feira, 25 de abril de 2016

Gatos




Gato é um bicho interessante. É que nem pequi, jiló ou dobradinha. Não tem meio termo, pois ou você gosta ou não quer nem vê-lo por perto. Bom, tem sim, já que existem pessoas como eu que conseguem admirar a beleza, a elegância e a independência felina. As variações de pelagens infinitas, as três cores das fêmeas. Se você não sabia, conto. Apenas as fêmeas possuem pelagem tricolor, herança ligada ao sexo em bom genetiquês.

E os olhos? Quanta beleza, profundidade e sensualidade. Não é à toa que mulher bonita é chamada de gata. Pode ser, por motivo outro, ligado ao fogo. Quem não ouviu ou usou a expressão “fogosa que nem gata no cio”?

A relação humanos/gatos é milenar. O bichano já foi adorado como um deus pelos egípcios. Aqui abro espaço para um pouco de cultura inútil, daquelas informações que você jamais vai usar na vida (mas vai que…): “Bastet, a deusa egípcia da fertilidade e do amor materno, era comumente representada por uma mulher com cabeça de gato”. Mas, aí, lá pela bandas da idade média os cristãos resolvem endemonizar o pobre bicho. Muita gente boa foi para a fogueira, taxada de bruxa, pelo simples fato de possuir um gato. Caraca, será que não tinham mais o que fazer não?

Viu só? Quem é que poderia viver sem essa informação? Agora que estamos todos salvos do poço escuro da ignorância, sinto-me mais confiante para continuar a vida. Em minha varanda, tem uma namoradeira secular, daquelas feitas sem prego e as emendas das tábuas preenchidas com cera de abelha. Na minha varanda, sobre a namoradeira, eu tenho um vasinho de cactos, presente de filho.

Pois não é que, de uns dias para cá, em minha varanda, sobre a namoradeira, toda manhã, meu vasinho começou a aparecer tombado? Pedrinhas brancas, que o adornam, espalhadas por todo canto. Seria o vento, pensei sem pensar. Que vento nada. Noite alta chego de manso. Lá, como dono do pedaço, todo esticado, quem encontro? Um lindo gato filhote, desmamado, mas filhote, preto como a mais negra das noites de lua nova e ameaçando chuva, sem estrelas e sem vaga-lumes. Seus olhos esverdeados brilhavam fixos em mim. Levantou-se manso, deu uma bela espreguiçada, desceu flutuando do banco e, em miado choro, veio em minha direção. Passou rente a minhas pernas, pedindo afago. Abaixei e acariciei por longo tempo sedoso pelo. Assim ficamos, no silêncio, em reconhecimento mútuo.

Gatos não são escolhidos, eles escolhem companhias, pois jamais serão de ninguém. Não me atrevo a dizer que serei seu dono, isso nunca. Agora, estamos em fase de namoro. Hoje cedo entrou casa adentro. Delicadamente, eu disse não. Ainda não é hora. E tem mais, quem vai cuidar quando eu viajar? Mas confesso que já está me agradando a ideia dela, é uma feminha, ser minha dona. Estou mesmo precisando de companhia e carinho, isso elas sabem dar. Vamos ver no que vai dar, se for para ser, será.

Bastet aqui citada, não originou “basquete” da NBB – esse papo de Novo Basquete Brasil, é triste. Nossa capacidade infinita de imitar. Tudo isso só para parecer com a NBA gringa.

Bom domingo, no mais Gerais, preguiça felina.







segunda-feira, 11 de abril de 2016

Celular






Saudade do tempo em que celular era apenas um celular. Servia exatamente para o que foi criado, ligar e receber chamadas. Eram imensos, pesados e horrorosos. Algumas pessoas exibidas só andavam com aquele que mais parecia rádio de pilha, dependurado na cintura como se fosse uma arma. As chamadas eram caríssimas e viam-se esnobes da mesa de bar ligar para o balcão, só para pedir mais uma cerveja. Nem precisa dizer que a conta de celular ficava três, quatro, até cinco vezes mais cara do que a despesa do boteco, com boas cervejas e iscas de filé acebolado consumidas.

A velocidade da tecnologia e a miniaturização transformaram os monstrengos em Liliputianas caixinhas falantes. Não, não é palavrão. Caso não conheça, é termo criado no belo livro “Viagens de Gulliver”, do escritor inglês Jonathan Swift (1667-1745), que não é marca de salsicha.

Pequenos, mas ainda telefones e nada de internet, redes sociais e tais. Engano. Alguns mais modernosos já vinham com o jogo da cobrinha, o Snake. Havia o lance de empilhar caixotes, o Stack Attack, o Space Impact. Neste, era você contra todos os invasores do espaço. Para completar, o medo de extraterrestres. Havia o Space Invaders onde o lance era derrubar naves das intergalácticas inimigas.

Apareceu o pré-pago que democratizou o uso do celular. Desconheço atualmente aquele que não tem pelo menos um. Mas se tem um só, pode ter certeza de que tem vários chips. No caminho inverso da liliputização, os celulares atualmente estão cada vez maiores. É a fase “Brobdingnag” ou agigantamento, da segunda viagem de Swift. Fazem coisas que até Deus duvida. Comando de voz, — Ô Celú, me liga aí para fulano de tal. Pimba!

— Já está na linha mestre – falta só responder.

Redes viciantes que acabaram com conversas e rodas de amigos. Idiotizam mentes brilhantes. Câmeras de não sei quantos megapixels, aplicativos e jogos para todos os gostos. Conexões internet de altíssima velocidade, nomes loucos/estranhos que passaram a fazer parte de nosso vocabulário cotidiano: wi-fi, bluetooth, Instagram, download, Browser, Inbox, Jailbreak, Java e por aí afora. Vou poupá-los das pronúncias que ouço por aí quando tentam balbuciar aos novos vocábulos.

Temos hoje celulares que mais parecem tela de televisão. Aliás, para tal servem também. Quanto maior o aparelho, maior o status, pensam alguns. Mal sabem que, ao colocar em exibição sobre a mesa aquele objeto de desejo de tantos, olhos maldosos podem estar preparando furto ou roubo. O mais interessante é que, com tanto recurso e tamanha tecnologia, as pessoas esquecem-se de utilizá-lo para ligar e receber chamadas.

“Na última viagem, Gulliver encontrou os Houyhnhm, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, que representavam os ideais iluministas da verdade e da razão. Os Houyhnhm temiam que alguém dos yahoos (uma raça imperfeita de um tipo de “humanos”) movidas por instintos primitivos, se tornasse culto, satirizando a raça humana. Gulliver vê a humanidade como yahoos e toma nojo do ser humano.”

Prestaram atenção no nome da espécie tão temida pelos inteligentes cavalos. Só para lembrar, “Viagens de Guliver” foi lançado em 1726. Presságio?








Jornal Correio em 10 de Abril 2016





terça-feira, 1 de março de 2016

Controle de Aedes

https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhRXdPaFpHS2ZPdE0/view?usp=sharing


A contemplação sempre nos traz ideias, algumas factíveis outras meio loucas. Geralmente estas últimas é que funcionam. Assim foi toda minha vida. Quando poderia imaginar que um programa de controle de escorpiões, implantado em uma cidade onde o escorpião não era considerado bicho perigoso, poderia vingar e transformar-se em um dos modelos de controle para nosso Brasil?

Pois é, de mirar para dentro um dia perdido no tempo, do perceber a necessidade não sentida de uma gente sendo agredida constantemente por esse bicho, nasceu nosso trabalho. Não mais nosso, e sim, um direito da população que felizmente aprendeu a cobrar por ele, perpetuando algo que lhe pertence e não pode sofrer interrupções. Fico feliz e realizado. Foi assim também com o controle da raiva canina. Quando começamos a brigar contra ela, era um Deus nos acuda. Quatro, cinco casos por semana davam entrada no Hospital Veterinário. Neste ano, completamos trinta, isso mesmo, trinta anos sem um caso sequer da doença em cão ou gato. Deu trabalho, mas como valeu à pena. Vidas salvas, missão cumprida.

Outro dia, ao entardecer ou anoitecer, não sei, pois os estertores do horário de verão são cruéis com o dia e com a noite, fazendo-os cumprir hora extra. Custa a escurecer e nunca amanhece, me peguei melancólico. De tanta picada que estava a levar, me veio uma ideia de como controlar o mosquito da dengue e, de quebra, diminuir, razoavelmente, os pernilongos comuns, cantantes de pé de ouvido.
Raquetes elétricas. Simples assim, ecologicamente corretas, não poluem e consomem faiscazinha de eletricidade ao serem carregadas na tomada. Calma, explico. Resolvi batizar de Projeto Guga meu divagar, seguindo exemplo da Polícia Federal e os nomes curiosos que dá às suas ações.

Seguinte: Uberlândia tem por volta de 300 mil domicílios, aí considero casas e apartamentos dos edifícios, cada vez mais abundantes, destruindo nossos horizontes. Vamos supor que cada domicílio destes receba uma raquete elétrica com instruções de uso e obrigação de detonar, digamos, 6 Aedes por dia. É pouco pela quantidade que temos voando para todos os lados.

Teríamos, pois a bagatela de 1,8 milhão eliminados por dia, certo? Por mês seriam 54 milhões e por ano 640 milhões bichos a menos atazanando nossas vidas. Super significativa, esta quantidade de Aedes fora de combate diminuiria, e muito, a transmissão da tríade do mal: zika, dengue, chikungunya. Além de levar atividade física para toda a população de uma vez só, diminuiríamos filas nas Unidades de Saúde e gastos com medicamentos. Todos ganham menos os mosquitos, é claro.

No varejo cada raquete dessa custa, digamos, R$ 25. Custo do Projeto Guga R$ 7,5 mil. Contudo, com uma compra grande licitada e bem fiscalizada, o custo vai cair e muito. Gasta-se mil vezes mais do que isso apenas com folhetos, explicando o que todos já sabem. Verdade, mas não fazem.

Aí, está. O projeto tem tudo para dar certo se aliado, é claro, ao básico que é acabar com água parada. Isso todo mundo já faz, ou não. Fica apenas a pergunta: quem vai colocar o guizo no pescoço do gato?







Jornal Correio de 28 de fevereiro de 2016




https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhRXdPaFpHS2ZPdE0/view?usp=sharing

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Escorpiões



Em um mês, foram registrados, em Uberlândia, 44 casos de acidentes com escorpião no período de dezembro de 2015 a janeiro de 2016. No ano passado, foram 20.015 ocorrências de pessoas picadas pelo aracnídeo em todo o Estado. Durante o período de chuva, os cuidados devem ser redobrados já que enchentes, alagamentos e enxurradas acabam obrigando o animal a deixar os esconderijos e procurar locais secos.

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Jornal Correio em 25/02/2016






https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhMUp4aDc5MGVmWjA/view?usp=sharing



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Cartilha sobre Zika



Recebi de Silma Melo Responsável Técnica/ Área de Assessoramento Técnico às Talassemias (ATT)/
Coordenação-Geral de Sangue e Hemoderivados/DAET/SAS/ Ministério da Saúde
Cartilha sobre Zika com ótimas informações ao público. Se puderem repassar a Saúde Coletiva agradece
Atenciosamente

William H Stutz


Link para a cartilha

www.ans.gov.br/images/stories/noticias/pdf/Cartilha_Zika_revisada.pdf


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Vacina contra Dengue

México tem primeira vacina contra dengue registrada no mundo

Aline Leal - Repórter da Agência Brasil

O México aprovou hoje (9) o registro da vacina contra a dengue da Sanofi Pasteur, que também está com pedido de registro no Brasil. “É a primeira vacina contra a dengue que recebeu a aprovação por uma agência reguladora em todo o mundo”, disse a diretora médica do laboratório, Lúcia Bricks.

A agência reguladora mexicana indica o produto para a faixa etária entre nove e 45 anos. De acordo com o laboratório francês, o imunizante tem eficácia de 60,8% contra os quatro sorotipos da doença, taxa de redução de hospitalização de 80,3% e diminuição de 95,5% de casos graves da dengue. A imunização deverá ser feita em três doses, com intervalos de seis meses.

Segundo o laboratório, o desenvolvimento deste produto levou cerca de 20 anos e, até o final de dezembro, o pedido de registro terá sido feito em pelo menos 20 países.


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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Sncericídio



Pois não é?! A gente chega a certa idade em que as coisas ficam de uma simplicidade que só. Não me refiro à idade contada em primaveras, luas, sóis, mudas de pele ou carnavais. Falo de uma era que está dentro de cada um. Conheço muito menino velho e um tantão de velho menino. Aqui, uma pausa para, pela última, vez, explicar gênero. Meninas velhas e tais estão também incluídas.

O lance é que, da mesma forma que me nego a adotar a tal nova ortografia, a questão de gênero nos escritos não me pega. Sou, sim, plenamente concordante quando diz respeito ao ser humano, suas escolhas, sua liberdade. Não me refiro aqui a essa chata linguística, mas à diferença e discriminação de escolhas pessoais e intransferíveis. Achei um absurdo negarem este direito à discussão nas escolas mornas e carregadas de preconceitos, debate vazio de bom senso, sobrou hipocrisia.

O linguista, semiólogo, filólogo, poeta, entre outras coisas, Aldo Bizzocchi, lança luz sobre o dito: “[…] há uma pitada de “politicamente correto” nessa história, já que gênero seria, supostamente, uma palavra mais “neutra”, sem conotações sexistas […]”. Sinceridade? Uma afronta à inteligência de nossas crianças que, assim, perdem uma oportunidade ímpar, em pleno século 21, de colocarem a cabecinha para pensar aberto, a entender e respeitar diferenças. Seremos lembrados como o século da caretice. Uma pena.

Explicada a minha posição em relação aos “os” e “as” definitivamente? Então, pronto. Como eu dizia, os jovens velhos são, literalmente, um pé no saco. Parecem abacate madurado embrulhado em jornal ou dentro da saca de arroz, da tulha ou ‘tuia’, aqui em nossa Minas. Sem gosto, sem sal, sem doce. Chatos precoces, se acham. Ô paciência! Vai discutir com eles Kant, Maquiavel ou Dante – aprendido no wikipédia – interpretações de arrepiar careca. Moinhos de Don Quixote, amor de Quasimodo pela cigana Esmeralda, fariam Cervantes e Victor Hugo dar piruetas no céu dos escritores.

O que vem acontecendo comigo é que peco quando em vez por excesso de sinceridade. Minha cota de sapos finalmente se esgotou. Sei que posso, às vezes, passar por mal-educado ou até grosso. Não, grosso não, mas me nego a esconder o que penso e como penso. Acontecidos errados, injustos que vejo/ouço não me calo mais: conto, defendo, denuncio publicamente. Amiga comadre, que padece do mesmo mal, recentemente me alertou que gente como a gente pode estar sujeito a um “sincericídio”, pois o ditado popular nos alerta; “o peixe morre pela boca”. Não adianta procurar no dicionário, pois é palavra criada, língua viva. O “sincericida” não é, mas pode se tornar ato dramático ou, no mínimo, injusto. A liberdade de expressão só livre se agrada, caso contrário, fadado a perseguição e inimizades.

Pagamos o preço de ser absolutamente livres; não tememos represálias nem opressão. Paz de consciência. Ah, e somos bons no que fazemos, além de modestos, é claro. Se é disso que vou morrer, me vou tranquilo, “Duela a quien duela”, mas palavras de certo caçador por nome Fernando. Quer mais? Não carece.








Jornal Correio em 07 de novembro de 2015




https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOhTURISVBnYWlwTEE/view?usp=sharing

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Monstros de quintal



Foto www.indiogigantesp.com.br


Menino novo em uma Belo Horizonte bela e limpa. Nascido e criado no bairro Funcionários, tivemos o privilégio de sermos uma das últimas gerações a ter verdadeira infância de rua. Descer a Afonso Penna de carrinho de rolimã, da praça da ABC até a Tiradentes, lá embaixo esquina com Aimorés, jogar bola, bentialtas (o bete daqui) só que com bola de meia e casinha de graveto em plena Rua Ceará. Vai fazer isso hoje, seriam considerados esportes ultrarradicais, superando o skydive em muito. Tudo era tranquilo não apenas pelo olhar criança, adultos também sorriam sempre. Cara amarrada, no máximo era fome, naqueles dias.

Já aqui contei que pouco serviam portões ou entradas formais, nossas trilhas e ruas eram os muros e galhos. Passávamos de casa em caso subindo em árvores, escalando obstáculos com facilidade felina.
Mas havia uma casa, muro a muro com a minha que era uma aventura, esta sim radical, de entrar. Por coincidência a mais frequentada por nossa turma, ali tínhamos grandes amigos. O muro dava para um imenso quintal pouco cuidado, repleto de bananeiras de qualidades variadas: prata, ourinho, caturra, maçã, era um festival. Tinha também imensos pés de jabuticaba Sabará, mexericas, figos, e até um pé de maçã, que nunca maçã deu. Bananeira tem troco ou caule? Bom, intuitivamente os chamo de falsos troncos. Estes, após terem seus cachos colhidos se amontoavam pelo chão, dando ao lugar um aspecto lúgubre de terra de ninguém, repleta de esconderijos para fantasia infantil povoar. Mas aí nesse lugar sombreado de pouco sol morava uma fera perigosíssima a qual todos temiam, a ponto de com ela ter pesadelos. Os cabelos da nuca arrepiavam só de imaginar tomar carreira dela, o coração batia em descompasso, suávamos frio. E hiperventilação no respirar. Os mais fraquinhos clareavam os lábios de onde sangue fugia, e muitos desmaiavam em pânico.

Esta fera não era nenhum cachorro imenso de latido grosso, nem algum ser fantasmagórico fruto de imaginação coletiva, nenhuma fantasia criada para afugentar incautos ladrões de fruta. Era nada mais, nada menos do que o empinado e rabugento Galo índio de Seo Aristides, que por sinal nem ele, o dono, conquistava respeito e não foi só uma ou duas vezes que teve a camisa rasgada, costas riscadas de fora a fora por mais palmo de esporas afiadas. Isso, o tal quintal também tinha um galinheiro imenso onde reinava absoluto o galo de Seo Aristides.

A maior prova de valentia entre nós era entrar triunfante pelo portão interno do galinheiro vindo do muro, se esgueirando por entre as plantas, se arrastando como cobra, um olho no galo outro no caminho a despistar a fera que ao mínimo barulho levantava a cabeça além do pescoço, a inclinava mineiramente desconfiado de um lado para outro. Não nos notando, mas nos sabendo, batia forte as asas e disparava seu canto ameaçador de “Aqui tem dono!” Grande parte da infância foi um sobressalto entre nós e o galo. Muita gente saiu riscada em encontros desagradáveis, pois quando em vez o galo fugia do terreiro e aí, não tinha quem ficasse de fora. E lá ia Seo Aristides com vara de bambu imensa a tanger o bicho de volta para seu lugar. Colher ovos era outra aventura, mesmo sabendo onde todos os ninhos ficavam por conta do indez que lá repousava, honraria para quem mais ovos trouxesse.

Galo adoeceu – troça da criançada – fim de uma lenda, com o galo se foi nossa infância.
Crescemos para um mundo começando a ficar sem sonhos. Nunca mais encontrei meus amigos.













segunda-feira, 25 de maio de 2015

Praga de plágio



Uma semana fora de nossa Uberlândia parece uma eternidade quando se trata de acontecimentos inusitados. Cheguei de um longe Maranhão, onde estava, mais uma vez, a convite do Ministério da Saúde, capacitando técnicos daquele Estado para implantarem programa de manejo de escorpiões. Sensação de realização absoluta quando vemos o resultado destas capacitações.

Percorrermos praticamente todo país mostrando nossa experiência. Modéstia às favas, temos, sim senhor, um dos melhores programas de controle desse bicho no Brasil. Participamos da elaboração do Manual de Controle de Escorpiões do mesmo Ministério, portanto, da normatização de condutas a serem seguidas para tal em um país continental – a rima foi sem querer, mas fica rica. Pode um profissional de saúde ter satisfação maior?

Cheguei sábado, depois de longo e confuso vôo, repleto de conexões malucas e horas de espera em aeroportos, onde cafezinho custa até oito contos. Constatação: a distância mais curta entre dois pontos da aviação nunca é uma reta. Domingo, ainda com ressaca de tanto voar, participei da superbem organizada Corrida do Sesc. Fiquei feliz. Depois, almocei na “Nossa Feira” da Praça Sérgio Pacheco.
Em casa, abri os jornais do dia. Aí o susto: “Argh, plágio!” de Gustavo Hoffay. O simples passar d’olhos já me trouxe péssimas lembranças. Mais espanto ao ler, como é de costume, a bem escrita crônica de Hoffay. Explico.

Por muito tempo fui roubado em textos por certo cidadão, que se diz jornalista e que publicava sistematicamente textos meus, de Thogo Lemos, de Ana Maria Cunha, de Marília Alves Cunha, Cláudio Vital e sabe-se lá de quantos mais. Muitos amigos leitores, indignados, escreveram para o tal jornal, sobre o demente. Resposta nenhuma. Sigam o link cerradodeminas.blogspot.com.br/2011 e confiram.

Se este for o mesmo jornal, provavelmente o ladrão de idéias, o intelectualmente doente, será o mesmo. Ah, não sei se já viram, mas o seu “Salve-se quem puder” amigo Gustavo, publicado em 29/09/2010, foi copiado na integra lá também.

Certa feita, ao ser entrevistado por enigmática, articulada, informada e de muito bem escrever personagem, que assinava @uberlandia, foi feita a mim a seguinte pergunta:
“Qual a sensação de se ter um texto roubado? É igual, parecido ou pior do que ter uma casa arrombada?”
Respondi: As criações, sejam literárias ou outra forma de expressão, custam algum sofrimento para quem as produz. Pode parecer mentira, mas criar muitas vezes dói, machuca. Porém, depois de prontas vem um porre de endorfina. Relaxante sensação de prazer absoluto. Quando te roubam um texto te roubam mais do que palavras, roubam um pouco de sua vida e isso incomoda pra caramba.
Ao final das contas um texto roubado é uma casa violada.

Salvei o dia com meu Galo dando tunda no Fluminense por quatro a um. Poderia ser um domingo perfeito não fosse o remoer em asco e nojo do mau caráter “tartufo acéfalo” plagiador (adorei esta expressão) e a pequenez de um jornal que aceita tais escritos.
Mas deixa estar caro Gustavo, hora ele acha o dele.








Publicado em 24 de maio de 2015  Jornal Correio 



segunda-feira, 18 de maio de 2015

Lagartixas




Muito tempo atrás construímos primeira casa, daquelas financiadas pelo BNH. Casa miúda, mas enfim própria. Chega de aluguel, que vinha se arrastando desde os tempos de república. O bairro era longe que só. Acesso só pela estrada do Caça e Pesca pista simples e estreita, um ermo. Como tive que vender moto para comprar o terreno, ficamos a pé. O ônibus tinha roteiro por lá, mas como quase não tinha morada, comia volta. Era comum ver só a capota do bruto por sobre a braquiária tomando rumo da cidade outra vez. Aí era bater a pé e rezar por rara carona. Isso era em tempo de sol ou chuva. Aos poucos, bem devagar o bairro foi crescendo. Região foi aprumando mansa, estragando paisagem, destruindo cerrado onde filhos cresceram descalços, subindo em árvores, livres.

Do nada, a estradinha de pista única virou avenida, fim de sossego pairava sobre gente que queria silêncio e ar puro.

Dia da mudança. Toda tralha coube em carroceria de caminhonete. Vasculhando casa alugada agora vazia, repleta de ecos desconhecidos, ouvia-se o próprio andar, a respiração ficava pesada em denso ar de lembranças que ficariam para sempre no limbo, em busca de algo esquecido. Quase fechando a porta pela última vez, um impulso me fez voltar. Senti na nuca dezenas de olhos a me observarem em tristeza. Arrepiei arredio. Com coração na mão e pequena tremula dei passo para a sala repleta de nada. Notei ligeiro movimento em um canto. Virei de vez e me dei com os donos daqueles olhos de empurrar nuca.

Dezenas de lagartixas corriam parede abaixo sem nada entender. Jeito que ficaram olhando a casa vazia, olhos enormes e pidões como a perguntar se iam lá ficar. Teria eu coragem de tamanha malvadeza? Toquei a recolher as bichinhas em caixa de sapato. Uma a uma foram embarcando em nave cargueira de papel rumo ao novo lar. Soltei-as todas assim que entrei na casa nova. Foi uma festa. Cresceram e multiplicaram. Tomei por hábito, no silêncio de mato, deixar o passar das horas no sofá olhando para o telhado sem forro. Começar a escurecer e lá vinham elas caçar sustento, namorar e espiar a vida. Dormia tranquilo com o bater de mandíbulas delas em som que poucos conhecem.

Regozijo antes de chuva em fartura de aleluias, maná em mel. Deleite de ver.

Anos se passaram, fizemos novo telhado. Durante a retirada das antigas telhas, ia lá eu encarapinhado entre ripas e caibros, aprendendo a galgar telha, do espigão à cumeeira na cata dos ovos branquinhos das amigas mágicas na arte do mimetismo. Um teatro a cada passeio. Descansa as vistas.

Dos ovos colhidos para caixa baixinha com pouco de areia. Inventei ninho berço. Cobertura de telhas deixada ao sol. Todo dia ia fuçar. Até que, em mais um milagre da vida elas iam saindo de seus ovos, pareciam grande olhos com pequeno rabo. As espalhei por todos os cômodos, casa agora protegida. Todos podiam em paz dormir, bichinhos atentos ali estavam para em silêncio faminto marcar vigília.

Essa prosa não finda aqui, torna-se, para a vida, mais linda.






Publicada Jornal Correio em 17 de maio de 2015




https://drive.google.com/file/d/0B3a7BJIdLwOha3N0R0s2SkNJRDQ/view?usp=sharing

quarta-feira, 18 de março de 2015

Tipos de pisadas

Vai começar a caminhar ou correr? Evite lesões, conheça seu tipo de pisada e use o tênis adequado.
Comece hoje e viva a vida!



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

De rodoviárias e bibliotecas





Refaço, sem muito esforço, o caminho que me trouxe a Uberlândia. Não carece repetir histórias contadas da chegada, das charretes da velha rodoviária onde hoje se encontra a biblioteca. Quando cheguei, as histórias estavam dentro das pessoas que iam e vinham de todos os cantos e por ali passavam. Hoje as histórias estão nos livros que descansam agitadamente imóveis nas prateleiras à espera de quem os desperte em vida, os folheie e viaje com eles. Bibliotecas e rodoviárias têm muito em comum. Ambas foram criadas para transportar pessoas a longínquos paradeiros. Não se medem quilômetros, léguas ou metros. Medem-se em sentimentos, expectativas, paixões, desilusões, saudades.

Mais semelhanças estão em ambas presentes. As bibliotecas trazem conhecimento, informações. O sacolejo das velhas jardineiras também. Se cada livro tem sua história, cada ser vivente que por aquela velha rodoviária perambulou também é rico em casos. Universo único, luminoso e rico. Depois de morar em pensões, quartos alugados e algumas repúblicas, finquei raiz em uma delas, a já mencionada Quilombo dos Palmares, na Felisberto Carrejo.

Esta, sim, misto de biblioteca, rodoviária, estação de trem, feira-livre, encontro de comadres, saída de missa, dada a quantidade de histórias que por lá aconteceram e, em suas paredes devem estar, como livros, aguardando quem as conte. Uma delas: Colega e hoje compadre, moço grande e forte, criado em fazenda lá pelas bandas da Cumbuca perto de Iturama. Tamanho, força, mas medroso de assombração que só. Foi a deixa. Amarramos linha de pesca em sua coberta e corremos a mesma até o quarto em frente ao nosso. Dividia o quarto com ele.

Tudo combinado. Assim que chegou da rua em noite alta de sábado, estávamos na sala, à luz de velas apenas, o breu quase total. Colega em atabaque marcava ponto de umbanda e amiga se fazia por encarnada de espírito, da fala grossa e girava a cabeça. No começo o compadre riu meio sem jeito. Aos poucos foi perdendo a graça e tremia. Dizia que era o frio. Era medo. Aquilo durou bem uns 20 minutos, quanto outro da república ligou as luzes do relógio e todos em ensaiado grito alto terminamos a “sessão”.
Deu uma pressa no “véio” – assim carinhosamente o chamávamos – de dormir que ninguém conseguia segurá-lo. E era tudo que queríamos. Noite ia fundo, todos acordados, menos o “véio”. Foi só esperar o seu alto roncar. Começou a segunda parte do plano. Do quarto em frente, começaram a puxar o fio amarrado na coberta. Eu fingia dormir para o tudo acompanhar.
No primeiro puxão a coberta foi parar no peito dele. Acordou assustado, me chamou e com voz trêmula: “Viu isso?” – “Vi nada, só é imaginação sua, vai dormir!”

Pouco passou e puxaram outra vez a linha de anzol, desta vez, com tanta força que a coberta parou nos pés. Aí foi pulo só! Ficou em pé no meio do quarto e gritou forte: — Toma que é seu alma penada, tá com mais frio do que eu, fica com ela!
Gargalhada geral, e só então o incauto tomou ciência da farra. E você pensava que estudante de república só estudava? Tempo bom.















Publicado no Jornal Correio em 25 de janeiro de 2015