Secretaria Municipal de Saúde






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Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



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Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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segunda-feira, 6 de novembro de 2006

História Natural dos Escorpiões



Apesar da existência de poucos exemplares, evidências fósseis indicam que os primeiros escorpiões ( aproximadamente 400 milhões de anos atrás) eram de vida aquática possuindo guelras e patas, e se pareciam em muito com os escorpiões atuais.

Alguns dos primeiros escorpiões a viverem a maior parte do tempo em terra firme eram muito pequenos, mas pelo menos uma espécie - Praearcturus Gigas - assumia maiores proporções chegando a medir 1 metro de comprimento sendo pois um notório predador.

Os escorpiões modernos se adaptaram aos mais variados tipos de habitat

Dos desertos às florestas tropicais e do nível do mar a grandes altitudes em montanhas. Uma espécie foi encontrada vivendo a 4.200 metros de altitude nos Andes.

Apesar de pequenos em tamanho , escorpiões exercem papel fundamentalna cadeia alimentar. Não é incomum encontrarmos três ou quatro espécies diferentes convivendo no mesmo habitat, ou em grupos númerosos . Eles são animais carnívoros, predando grande quantidade de invertebrados e ocasionalmente pequenos vertebrados contribuindo sobre maneira para o equilíbrio ecológico.

Habitats

Como dissemos os escorpiões são encontrados nos mais variados habitats tais como florestas tropicais, cerrados , campos, e em áreas intermediarias às descritas.

A grande maioria destes aracnídeos tem preferência por climas tropicais e subtropicais. Todavia algumas espécies de adaptaram a regiões pouco comuns, algumas surpreendentes.

Em várias regiões do planeta algumas espécies de pequenos escorpiões (menos de 1 mm ), vivem em zonas intermediárias . Conhecidos como escorpiões do litoral, se alimentam de minúsculos invertebrados marinhos trazidos pelas marés.

Algumas espécies vivem como já nos referimos em altitudes acima de 4.200 metros no Himalaia asiático, uma em particular - Orobothriurus altola - vive a 4.400 metros de altitude na cordilheira dos Andes aqui na América do sul.

Estes são muito pequenos e passam meses sob pedras e em abrigos cobertos por neve e gelo.

Experimentos já demonstraram que muitos escorpiões podem resistir a temperaturas abaixo do ponto de congelamento .

A influencia de microclimas específicos, assim como composição de solo, tipos de rochas, sazonalidade de temperaturas extremas e disponibilidade alimento são fatores limitantes na distribuição destes animais.

Para sobreviver através dos milênios os escorpiões tiveram que se adaptar.

Os escorpiões das areias (psammophiles) possuem numerosas cerdas, que aumentam a área de superfície de contato com o solo, as patas são adaptadas para melhor locomoção na areia fofa. Os escorpiões de regiões rochosas (lithophiles) são mais achatados e alongados com cerdas mais espessas e pontudas mas patas o que facilita se mover livremente sobre o terreno e em seus abrigos. Seus metasomas são longos e finos e mais elevados em relação a maioria das espécies.

Um corpo desenvolvido, robusto com patas curtas e pedipalpos grandes e , poderosos caracterizam os escorpiões que constróem abrigos (fossorial). Alguns escorpiões (troglobites) vivem em cavernas profundas. Como não há nenhuma necessidade enxergar na escuridão, a maioria deles são cegos e em alguns a ausência total de olhos é observada. Geralmente seus corpos , patas, e pedipalpos são extremamente delgados, incolores - todas estas adaptações foram desenvolvidas para viver em fendas, sob a rocha, e nas profundezas das cavernas . Escorpiões adaptados às proximidades das entradas das caverna são conhecidos como troglophiles, não perderam os olhos e não adquiriram outras características dos troglobites .

Os escorpiões arbóreos são pequenos, leves, ágeis em escaladas. Alguns sobem em árvores, vivendo dentro dos buracos e das rachaduras dos troncos, outros preferem as parte basal de bromélias .

Uma vez que as pesquisas para explorar as copas das árvores das florestas tropicais estão em estágio inicial , acredita-se que muitas espécies novas de escorpiões ainda serão descobertas e descritas .

Cada uma destas variações físicas são acompanhadas de inconvenientes, algumas espécies são tão especificas de certo ecossistema que encontram sérias dificultadas em se adaptar a outros com características diferentes, mesmo que estas variações sejam mínimas. Esta é uma consideração importante quando avaliamos a necessidade de se manter estes animais em cativeiro, seja para fins médicos-sanitários seja para estudo de comportamento. Algumas espécies simplesmente não são passíveis de se manter em laboratório, pelo menos com a técnica e equipamento que dispomos.

Adaptar para sobreviver

Além da sustentação, o exosesqueleto rígido do escorpião age como um revestimento rígido, protetor cuja coloração geralmente condiz com o seu habitat.Isto fornece ao escorpião a capacidade de se camuflar.

A forma achatada dos escorpiões os permitem esgueirar por entre locais muito pequenos e apertados.

Sua capacidade de inocular veneno e seus fortes pedipalpos combinados com sua velocidade de reação a estímulos fazem do escorpião um predador formidável e perigoso.

Os escorpiões possuem uma das taxas metabólicas mais baixas do reino animal. Podem permanecer longos períodos sem se alimentar pois ao final de uma única refeição ( na qual ingeriu grande quantidade de alimento), conservam ao máximo energia evitando ao extremo se locomoverem, poupando assim energia para sua manutenção.

Os escorpiões do deserto são os artrópodes mais especializados em conservação de água.

O revestimento de seu exoesqueleto os torna impermeáveis evitando perda de líquido corpóreo.

A necessidade de água da maioria dos escorpiões do deserto é adquirida através de suas presas ou seja através de seu alimento.

Seus dejetos são extremamente secos devido ao elevado teor de nitrogênio e uma porção mínima de água.

Respirar através de espiráculos minimiza substancialmente a perda de água através da respiração. Algumas espécies possuem membranas que cobrem as entradas dos espiráculos podendo fecha-las voluntariamente diminuindo ainda mais quaisquer perda de líquido.Ao se refugiarem dentro de tocas, sob as pedras ou se enterrando no solo os escorpiões do deserto evitam os períodos mais quentes do dia este procedimento também minimiza a perda de umidade .

Classificação dos Escorpiões

A medida que pesquisadores aprofundam seus estudos sobre os escorpiões torna-se mais freqüente a necessidade de reavaliação e mudanças na sua classificação.

Infelizmente são pouquíssimos os pesquisadores trabalhando com escorpiões no mundo, no Brasil não seria possível enumerar uma dezena mesmo sabendo que no passado contávamos com os maiores expoentes da arcnologia mundial tais como Lutz, Wolfgang Burchel, Campos Mello, além do "pai " da terapia anti-escorpiônica Vital Brasil. O resultado deste desinteresse é a lentidão do processo evolutivo da sistemática atual.

Utilizando-se das características físicas e moleculares, pesquisadores já determinaram a classificação de 1500 espécies e sub espécies aproximadamente, dividas em 16 famílias:

1- Bothriuridae
2 - Buthidae
3 - Chactidae
4 - Chaerilidae
5 - Diplocentridae
6 - Euscorpiidae
7 - Heteroscorpionidae
8 - Ischnuridae
9 - Iuridae
10- Microcharmidae
11 - Pseudochactidae
12 - Scorpionidae
13 - Superstitionidae
14 - Troglotayosicidae
15 - Vaejovidae

Muitas delas são divididas em sub-famílias, que por sua vez se dividem em gênero, espécies, e em alguns casos subespécies.

Existe muita discordância entre os pesquisadores sobre a validade ou não das subespécies; alguns afirmam que a classificação atual de muitas subespécies esta pouco definida e muito subjetiva . Uma vez que as características físicas utilizadas para tal definição são muito pequenas e só podem ser observadas através de dissecação microscópica.

A separação de gênero em espécie deve ser motivo de investigações cuidadosas que requerem muita paciência e determinação. É sabido que a coloração e o tamanho de indivíduos de uma mesma espécie podem variar de acordo com os seus respectivos micro habitats e estas peculiaridades deve ser cuidadosamente avaliadas quando da classificação das espécies.

Uma diferença única e isolada não é suficiente para elevar um certo tipo de escorpião à condição de espécie. Se houver aumento de interesse por parte de pesquisadores e principalmente fontes de financiamento para pesquisa , seguramente novas espécies de escorpiões serão descritas. A biologia molecular através do uso de PCR, ou análise de DNA tornou-se uma ferramenta de suma importância nesta tarefa.


Anatomia do Escorpião

A maioria das pessoas esta familiarizada com o formato de um escorpião, todas as espécies existentes se parecem .

Os escorpiões são considerados muito primitivos se comparados a outros animais terrestres

Além do mais os escorpiões são considerados os aracnídeos mais antigos encontrados até o momento.

Sua notória capacidade de evolutiva e de adaptação permitiu que sobrevivessem na superfície da terra por aproximadamente 300 a 350 milhões de anos após saíram do ambiente aquático.

Todos os escorpiões captam calor de fontes externas e são incapazes de gerar seu próprio calor. Em ambientes muito quentes eles possuem hábitos noturnos. Algumas espécies de regiões temperadas e de florestas tropicais tem atividade durante parte do dia, uma vez que a vegetação densa impede que o calor excessivo do sol atinja o solo.


Olhando de perto

Apesar de se buscar fazer uma abordagem detalhada da anatomia dos escorpiões, torna-se importante uma revisão de todas as partes do corpo e suas características de forma identificar algumas partes externas do animal.

Os escorpiões, internamente possuem sistemas nervoso, circulatório, respiratório, reprodutivo e digestivo. Como todos os artrópodes os escorpiões tem o corpo revestido por fino e resistente exoesqueleto de quintina que carrega e protege as estruturas internas.

É a base de sustentação também de vários receptores sensitivos, espiráculos

( ou opérculos respiratórios ) e outras estruturas de comunicação com o meio exterior de grande importância biológica .

O Prosoma

O corpo é dividido em duas partes principais o prosoma (cefalotórax) e o opistosoma ( abdome) . Dorsalmente , o prosoma é coberto por uma carapaça. As quelíceras são parcialmente cobertas pela carapaça e projetadas para a frente.

As quelíceras são órgãos pré-bucais e são usadas para rasgar e triturar alimento; todos os aracnídeos as possuem .

Um par de olhos medianos e outros laterais, menores ( ao todo cinco pares ) estão localizados na carapaça . Os olhos medianos são órgãos muito primitivos, com capacidade de percepção de profundidade e espacial produzindo assim imagens visuais distorcidas. São muito sensíveis a luz . Seu propósito parece ser permitir orientação e para diferenciar luz e escuridão .

Os olhos laterais são até três vezes menores do que os olhos medianos e parecem reagir a estímulos mais rapidamente no escuro.

Aparentemente são os responsáveis pelo ciclo luz-escuridão e parecem serem reguladores do relógio biológico dos escorpiões .

Uma área foto sensível no metasoma foi descoberta recentemente em diferentes escorpiões . Sua função não foi ainda esclarecida.

Opistosoma

O opistosoma é composto pelo mesosoma ( pré abdome ) e metasoma, erroneamente chamado de cauda , ( pós abdome ). Sete tergítos se combinam para formar a parte dorsal do mesosoma. O tecido flexível que une as partes rígidas do exoesqueleto são denominadas membranas (pleura) intersegmental .

O Metasoma é formado por cinco segmentos arredondados que terminam com um bulbo chamado telson.

O telson não é considerado parte do metasoma. O aguilhão ou a parte inoculadora de veneno é chamada de acúleo ( ferrão ) e em sua porção arrendada estão as glândulas produtoras de veneno.

Uma pequena protuberância esta presente em algumas espécies e são usadas por taxonomistas como uma característica quando da classificação de espécies.

O metasoma não é uma cauda no sentido da palavra, mas uma continuação do abdome. Contém partes do intestino , nervos, artérias, veias e músculos além de sustentar o telson.

O metasoma é um órgão musculoso e além de ser usado para ferroar também é usado para cavar, higienização, equilíbrio e sustentação do animal. A abertura anal esta localizada no tecido mole do quinto segmento, onde este se conecta com o telson.

Apêndices

Quadro pares de patas articuladas ( todas inseridas no cefalotórax ) permitem locomoção e também são usadas para escavar o solo. A porção que de cada pata que se conecta com o corpo é denominada coxa, e segue nesta ordem o trocanter, fêmur, patela, tíbia, basitarso, tarso e apotele.

Garras laterais e medianas estão ligadas à apotele.

Os pedipalpos são análogos ao braçõ e mãos humanas. Cada pedipalpo possui seis segmentos. Começando a partir do corpo temos: O trocanter, o fêmur, a patela, a tíbia, e o tarso. Os dois últimos segmentos apresentam o formato de pinças ( mãos ) a tíbia modificada representam a palma e um dedo fixo, e o tarso é o dedo móvel da pinça.

Apesar das estruturas anatômicas dos pedipalpos possuírem a mesma nomenclatura daquelas das pernas, os pedipalpos não são pernas. Estes são usados para capturar, conter e esmagar presas; para proteção como uma poderosa arma e escudo; e para escavar.

Também possuem órgãos sensitivos excepcionais. A superfície interna das pinças possui uma série de granulações dentadas e pontiagudas, que possibilita segurar firmemente e esmagar suas presas.

Algumas estruturas dos pedipalpos são presentes apenas nos machos, fornecendo base segura quanto ao dimorfismo sexual ( a abertura ou vão encontrado no Tityus bahiensis utilizado para segurar a fêmea quando acasalamento é um bom exemplo ).

Escorpiões com pinças maiores e robustas são capazes de esmagar o exoesqueleto de qualquer invertebrado por mais rígido que este seja.

A porção ventral

As formas das estruturas da porção ventral entre as pernas ( coxoesterno ) dos escorpiões são as mais utilizadas pelos para diferenciar famílias.

Os dois opéculos genitais ( fundidos cobrindo a abertura genital ) podem ser observados no centro do dorso imediatamente atrás e posteriormente ao externo.

Oito pequenas aberturas ( espiráculos ) localizados na parte ventral do mesosoma, transportam ar para os pulmões ( organelos respiratórios ) Uma vez que podem ser "fechados " em momentos de stress, estes espiráculos são extremamente eficientes e minimizam a entrada de partículas de pó no organismo.



Escorpiões que matam

Os Escorpiões que mais riscos trazem para seres humanos são originários do norte da África e do Oriente Médio (Androctonus , Buthus, Hottentotta, Leiurus), America do Sul (Tityus), Índia (Mesobuthus), e México (Centruroides).

Em algumas destas regiões ( como no Brasil por exemplo ) acidentes escorpiónicos são importante causa de mortes humanas. Infelizmente estatísticas confiáveis não estão disponíveis.
As raras estatísticas sugerem que o percentual de mortalidade em ambiente hospitalar por escorpiões seria da ordem de 4% dos agredidos, sendo crianças e idosos os mais susceptíveis a este tipo de envenenamento.

A morte por envenenamento escorpiónico ocorre como resultante de falência cardio-respiratória algumas horas após o acidentes ( este período é variável podendo ocorrer entre 1 a 6 horas em média - mortes tardias também podem ocorrer )

Órgãos sensitivos

Apesar dos escorpiões possuírem pouca visão eles são dotados de um arsenal de potentes receptores sensitivos. Captando movimentos de ar, vibrações, e tato são capazes de perceber a presença de predadores , presas, água, temperatura e luz, assim como uma gama de outros estímulos.

Pectíneas

As pectíneas são um par de apêndices com aparência de pentes localizados na porção ventral imediatamente após o último par de patas. Apenas os escorpiões as possuem. Estes órgãos sensitivos estão permanentemente em contato com o solo e são capazes de captar vibrações mínimas no mesmo e são ainda utilizados pelos machos para perceber a presença de ferormônios durante o período reprodutivo.

Cerdas

As cerdas são estruturas com aparência de pelos distribuídas por quase todo o corpo dos escorpiões, nas pata , e nos pedipalpos, dando a algumas espécies a aparência "peluda". Algumas destas cerdas não são visíveis a olho nu.

Pelo menos três tipos diferentes de cerdas já forma descritas, As Cerdas captam sensações radiculares, térmicas, químicas e variações de umidade.

As mais importantes são as longas e finas tricobótrias encontradas apenas nos pedipalpos. Estas são incrivelmente sensíveis e a movimentos de ar e a vibrações e podem perceber o menor movimento de suas presas, de outros escorpiões e situações de perigo.

A quantidade, localização e disposição das tricobótrias são importantes na identificação de espécies.

As cerdas do tarso captam vibrações do substrato e muitas ainda percebem variações e presença de água e umidade além de mudanças químicas no ambiemte.

Tufos de cerdas localizados no tarso e basitarso aumentam a área de contato com o solo facilitando a locomoção me terrenos arenosos e macios. Apesar de muito importantes para se determinar o habitat de espécies de escorpiões estes tufos de cerdas não são facilmente observados sem a utilização de intrumentos ópticos ( lupa entomologica ).

Outros receptores

Outros sensores microscópios chamadas de "réguas" sensitivas são encontrados nos pés e no metasoma. Quando algum tipo de pressão é feita sobre o exoesqueleto estss "réguas" se abrem rapidamente . Dependendo da duração e da intensidade desta pressão os escorpião faz ajustes em nos movimentos e postura do corpo.

Outras "réguas" sensitivas localizados no basitarso em todas as oito patas parecem perceber vibrações no terreno , como aqueles produzidos por movimentos de insetos.

Os escorpiões se utilizam das sensações recebidas por patas opostas para se aproximar de suas presas e determinar a localização e distância da mesma.

Produção de sons

Aproximadamente 150 espécies de escorpiões são capazes de produzir sons ou esfregando partes do corpo uma contra a outra ou vibrando estruturas anatômicas.

Alguns Opistotamus esfregam suas quelíceras e o cefalotorax e produzem um som sibilante. Algumas espécies friccionam o telson no metasoma, pectíneas ao externo, e os pedipalpos ao primeiro par de patas .

Em nosso laboratório tivemos a rara oportunidade de manter um Tityus brazilae por mais de 3 anos e a qualquer toque em seu terráreo o mesmo vibrava suas pectíneas produzindo um som que em muito lembrava o de uma cascavel.

Outros escorpiões literalmente batem o telson no solo. Estes sons produzidos parecem ter a função de intimidar agressores.

Veneno e envenenamento

O veneno é uma mistura química complexa (peptídeos de baixo peso molecular) que destroem as células quando as penetram .

Mais 100 destes peptídeos ja foram isolados em veneno de escorpiões. A função básica do veneno é de capturar e imobilizar presas: sua função defensiva é secundária.

Mas apenas uma minoria dos escorpiões produz veneno. E felizmente apenas 24 espécies são potencialmente perigosas para o ser humano.

O veneno dos escorpiões tem sido largamente estudado, particularmente em como é sua ação no corpo humano. A toxicidade dos venenos varia de gênero para gênero e de espécie para espécie, e muitas vezes dentro de uma mesma espécie a ação do veneno pode variar.

Também, por razões ainda desconhecidas, parece ter variações de acordo com regiões. Talvez em função da variação dos componentes químicos de cada tipo de veneno, aliados a variações genéticas, condições ambientais, tipo de alimentação disponível, ou simplesmente variações fisiológicas entre espécies podem ser a causa destas diferenças.

A ferroada

O processo utilizado pelo escorpião para provocar envenenamento é rápido e eficiente. Os musculoso metasoma é suspenso e o telson posicionado, para a introdução rápida e certeira do aguilhão no exoesqueleto ou pele do seu alvo. O escorpião deve perceber que foi certeiro, pois se o aguilhão não penetrar adequadamente o animal fará novas tentativas repetidamente até obter sucesso na inoculação do veneno.

As cerdas próximas ao ferrão são importantes sensores durante o ataque. Presas relutantes, que se debatem, serão ferroadas seguidamente enquanto estiverem seguras pelas pinças.

A quantidade de veneno injetada é controlada pelo escorpião; doses maiores para grandes animais e menos para as presas menores.

Algumas vezes o veneno não é injetado apesar da ferroada, este fenômeno é conhecido como "ferroada seca".

O ferrão pode se manter introduzido na presa por alguns segundos ou simplesmente ser espetado e retirado imediatamente , retornado a sua posição de ataque. Independentemente da forma como é utilizado o veneno faz do escorpião um predador extraordinário e eficiente, capaz de capturar presas maiores e mais perigosas do que o próprio.

Referências Bibliográfica

-Kjellesvig-Waering, E.N . 1986. A restudy of the fossil Scorpionida of the world. Organised for publication by A. S. and

-K. E Caster. Palaeontographica Americana, No. 55, 287 pp.

- Polis A.G - Biology of Scorpions - Stanford University Press - 1990

-Schulz, J.W. 1990. Evolutionary morphology and phylogeny of Arachnida. Cladistics, 6:1-38.

- Stutz, W. H. 1990, Ocorrência de Escorpiões em Uberlândia Minas Gerais , Brasil - Monografia para obtenção de título de Especialista em Saúde Coletiva - Universidade Federal de Uberlândia.

-Selden, P.A. 1993. Arthropoda (Aglaspidida, Pycnogonida, and Chelicerata), pp. 297-320. In: The Fossil Record 2 (M. J. Benton, ed.). Chapman and Hall, London. - Stockwell, S.A. 1989. Revision of the Phylogeny and Higher Classification of Scorpions (Chelicerata). Ph.D. Dissertation , University of California, Berkeley. 413 pp

Histórico -Lapq

Prefeitura de Uberlândia
Secretaria Municipal de Saúde
Laboratório de Manejo de Animais Peçonhentos e Quirópteros (LAPQ)



Histórico

Os programas de controle de animais peçonhentos ( escorpiões, serpentes, aranhas e lacraias ), foram implantados em nosso município em 1983 . As atividades se norteavam exclusivamente em atendimento às solicitações da população ( demanda espontânea ). A partir desta forma de atuação foi possível a construção de um banco de dados e o delineamento de um modelo epidemiológico onde o serviço passa a intervir no controle destes agravos de maneira racional e objetiva, priorizando as regiões de maior incidências destes animais, sem, contudo interromper o atendimento às solicitações individuais, pois com certeza estas seriam nossas sentinelas epidemiológicas.

O Programa de Quirópteros ( Morcegos ) se limitava ao controle de colônias das espécies hematófagas ( programa de controle da raiva dos herbívoros) .

Atualmente o estudo da etologia dos morcegos não hematófagos em áreas urbanas e rurais vem sendo desenvolvido como rotina, com vistas a conhecer nossa fauna "sinantrópicas", a distribuição das espécies no município, seus hábitos alimentares, territorialidade, a dinâmica desta população , e ainda, prioritariamente, o monitoramento da circulação do vírus rábico em nossas colônias.


Estudos visando a identificação das espécies de quirópteros de nosso município estão em constante evolução e resultados parciais estão publicados na revista CHIROPTERA NEOTROPICAL, a mais importante e especializada publicação sobre morcegos do país. Confira aqui nosso trabalho:
Updated list of bats from Uberlândia, State of Minas Gerais, Southeastern
Novas espécies já foram incorporadas à nossa quir´ptero fauna após a publicação. Em breve uma nova atualização será apresentada


Educação e Saúde Ambiental passaram a ser prioridade do LMAPQ.

Atuação


As atividades do LMAPQ são eminentemente de vigilância e educação ambiental, uma vez que os agravos com os quais lida dizem respeito principalmente e muito mais à intervenção negativa humana ao projetar suas cidades, suas vivendas, seu espaço urbano do que aos animais alvo propriamente dito .

Além da constante busca em amenizar os efeitos desta degradação ambiental e seus efeitos sobre nossa população humana ( coexistência quase nunca pacífica daqueles animais e população ), e os riscos à saúde humana e animal daí resultantes, atua-se diretamente nos fatores bióticos e abióticos responsáveis por esta sinantropia metropolitana e rural e principalmente em educação em saúde ambiental na tentativa de se evitar, ou ao menos procrastinar , o aumento destes agravos.

O LMAPQ desenvolve trabalhos de pesquisa aplicada de dinâmica populacional dos animais com os quais lida, objetivando principalmente o monitoramento do do deslocamento destas populações ( causa - efeito ), para junto das viviendas humanas.

Desenvolve-se trabalhos permanentes de pesquisa de novos métodos de controle ( bioensaios de laboratório e campo ) de bases químicas ( venenos ), para o controle principalmente de escorpionídeos.

Atividades de educação em saúde ambiental são rotina junto à rede de ensino do município, em SIPATS, e outras comunidades organizadas ( Associações de Moradores, Sindicatos ), através de oficinas pedagógicas objetivando a democratização do conhecimento e a formação de espirito crítico cidadão.


A intersetorialidade e a transdisciplinaridade fazem parte das ações do LAPQ, buscando-se total integração com secretarias municipais ( Meio Ambiente, Agricultura, Planejamento, Educação, Serviços Urbanos, Comunicação Social ), e órgãos de outras esferas administrativas como Fundação Nacional de Saúde ( FNS), Instituto Mineiro de Agropecuária ( IMA ), Secretaria de Estada da Saúde ( SES ), Instituto Brasileiro de Meio Ambiente ( IBAMA ), Polícia Federal e Florestal.

Novas Proposta de Ação.


Incremento das ações em curso , implantação de biotérios adequados para aperfeiçoamento de nossas pesquisas. Criação de museu zoo educativo em saúde ambiental. Geo demarcação das colônias de morcegos urbanos e da áreas rurais. Ampliação de banco de dados e criação de epidemiólogicos com vistas à intervenção rápida no que concerne aos agravos sob nossa responsabilidade .

Escorpionismo


Informações Toxicológicas

Centros de Informações Toxicológicas do Brasil

Centro de Informações Toxicológicas de Belém - Pará
Hospital Universitário João de Barros Barreto - 5° andar
Rua dos Mundurucus, 4487
Cep: 66073-000
Bairro: Guamá
Fone: 91 249-6370
Fone fax: 91 259-3748

Centro de Informações Toxicológicas de Manaus
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Farmácia do HUGV
Av. Apurinã, 4 Praça 14 Telefone: (092) 622.1972 /633.3241
Fax: (092) 233.5095
CEP: 69.020-170
Manaus Amazonas

Centro de Assistência Toxicológica de Pernambuco Hospital da Restauração
Av. Agamenon Magalhães s /nº - DERBY - Boa Vista
Telefone: (081) 421.5444 /421.5477 - Ramal 192 (para ambos)
CEP: 50.000-000
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Centro de Informações Anti-veneno da Bahia
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Rua do saboeiro s/nº - Cabula
Telefone: (071) 231.4343 /231.5593/371.2355 Ramal 199
Fax: (071) 371.1520
CEP: 41.150-000
Salvador Bahia


Serviço de Toxicologia de Minas Gerais
Hospital João XXIII
Av. Professor Alfredo Balena , 400 1º andar
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Telefone: (031) 239.9308 /239.9224/239.9223
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Belo Horizonte Minas Gerais


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