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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Hepatite C


Informação de boa qualidade em todas as áreas é absolutamente necessário para todos nós. Na saúde então não poderia ser diferente. De posse dela, da correta informação, caminha-se para uma vida plena, produtiva e principalmente mais lúcida e crítica. Uma vida feliz e completa. Mais importante ainda é repartir, dividir o conhecimento e a informação adquirida.

Nosso Blog da Saúde recebeu de Ana Paula este excelente texto sobre hepatice C de autoria de Chico Araujo da Agência Amazonia.
Importante leitura e reflexão, não apenas pelo conteúdo informativo sobre a doença, mas também para que possamos lançar um olhar crítico sobre a saúde publica em tão diferentes "Brasis" que nos circundam.
Boa leitura. Por favor repassem, divulguem. Assim se exerce verdadeira postura cidadã, humana.
E por favor, continuem a enviar suas contribuições e sugestões.


Amazônia bate recorde em prevalência de hepatite C
Acre é o lugar com a maior taxa, 5,9%. E os índios, o grupo
social mais castigado pela doença.


BRASÍLIA - A Amazônia tem hoje a maior taxa de prevalência de
infecção por hepatite C (VHC) do Brasil e uma das maiores do mundo. Seus índices se assemelham a algumas regiões da Ásia, África e Europa Ocidental. Dos nove Estados da região, o Acre é o que concentra os índices mais elevados da doença: 5,9%. Excluindo o Acre, o Rio de Janeiro aparece na segunda posição, com 2,66% de taxa de prevalência da doença.

O dramático quadro é traçado num relatório de um estudo encomendado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) para traçar o perfil epidemiológico da hepatite C no país. "Os resultados obtidos neste inquérito quanto aos aspectos epidemiológicos da infecção pelo VHC no Brasil revelam dados preocupantes e até então desconhecidos, inclusive por todos nós", afirma o professor José Carlos Fonseca em seu relatório. Fonseca integra a equipe de virologistas da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas (FMT), referência nessa área virologia no país.

Segundo Fonseca, a investigação sobre a hepatite C se deu porque a infecção pelo VHC é hoje um dos mais sérios problemas de saúde no mundo. Como no Brasil as informações acerca da doença são incipientes, a SBH decidiu fazer um inquérito nacional do perfil da infecção pelo vírus da hepatite C. A coleta de dados se processou
por meio de questionários a membros da sociedade e dirigentes de hemocentros.

Só a partir de 1992 os testes anti-HVC passaram a ser rotina na triagem de doares de sangue, o que possibilitou a coleta de dados mais realistas da infecção pelo vírus da hepatite C. Em seu estudo, Fonseca revela que, de 1.173.406 pré-doadores avaliados e de diversas regiões do Brasil, 14.527 deles (1,23%) foram reativos nos
testes. Do total, o maior índice (2,12%) foi constatado na região Norte.

Índios são mais afetados

Dentre os grupos de maior risco estão os hemofílicos, portadores de doenças hematológicas e de leucemias, presidiários, politransfundidos e prostitutas. O índice é também preocupante entre as pessoas com doença hepática crônica - 38% em um total de 1.839 pacientes estudados.

Fora do grupo de risco, os índios da Amazônia são os mais castigados pela hepatite C. Entre os indígenas brasileiros a prevalência do VHC alcança percentual de 19,50%, percentual este 13 vezes maior que o encontrado na população brasileira. "De acordo com estes resultados, podemos sugerir que entre os indígenas, o VHC (o vírus da hepatite C) circula ativamente", atesta José Fonseca em seu estudo.

Javari tem índice de 10%

A hepatite B, parente próxima do C, também é uma tragédia na Amazônia. O Ministério da Saúde estima que, nos dias atuais, mais de 20% da população da região - o equivalente a 4,6 milhões de pessoas - sofra as mazelas desse tipo de vírus. Em todo mundo, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a hepatite C atinge 200 milhões de pessoas. Destes, grande parte é assintomático e sem conhecimento de que é portador do vírus da hepatite C - 99,9% destes podem ter doença hepática.

Na Amazônia, a maior prevalência é a dos tipos B e C. Segundo o infectologista Noaldo Lucena, no Amazonas, os casos do tipo B apresentam incidência de 2% em Manaus, chegando a 10% na região do Javari, a segunda maior área indígena do país. Os casos do tipo C, acrescentou, apresentam índices que variam até 3%.

"A gente sabe que os vírus podem proliferar mais rapidamente em regiões tropicais e também que as doenças têm a ver com o nível socioeconômico e cultural, e infelizmente nossas populações mais carentes não dispõem às vezes de água encanada ou de educação básica", avalia. Lucena diz que as precisam entender que escova de dente, copos, talheres, toalha, aparelhos de barbear são de uso
individual por uma questão de higiene. "Mas parte da população não entende isso e acaba favorecendo a proliferação de vírus e bactérias, e a contaminação por muitas doenças infecciosas".


O que é a hepatite C
A hepatite é uma inflamação do fígado e, segundo Lucena, na maioria dos casos a pessoa doente não apresenta sintomas. O tratamento é realizado com medicamentos específicos e as seqüelas vão da cirrose hepática ao câncer de fígado.

Atualmente, cerca de 3% da população mundial pode estar infectada pelo HCV. Esse número é difícil de ser precisado devido à inespecificidade dos sintomas (já que seus sintomas podem ser confundidos com sintomas de outras doenças) ou até a falta deles.

Os possíveis sintomas incluem: fadiga, perda de peso, perda de apetite, dor nas articulações, náusea, sintomas semelhantes à gripe (febre, dor de cabeça, sudorese), ansiedade, dificuldade de concentração, intolerância ao álcool e dor na região do fígado.
Desses, o mais comum é a fadiga. Pacientes diagnosticados como tendo Síndrome da Fadiga Crônica têm, em muitos casos, o diagnóstico posterior de hepatite C.

Diferentemente das hepatites A e B, a hepatite C geralmente não cursa com icterícia (olhos e peles alaranjados). Outra particularidade que a difere das demais é que a maioria das pessoas que adquirem a hepatite C desenvolve doença crônica e lenta. Assim, o diagnóstico só costuma ser feito quando a pessoa vai fazer exames para doação de sangue, exames de rotina ou quando sintomas de doença hepática surgem, já numa fase avançada, como a cirrose, por exemplo.

Apenas 15 a 30% das pessoas infectadas pelo vírus da hepatite C se curam espontaneamente, enquanto 70 a 85% ficam com hepatite crônica. Persistindo a infecção, 1 em cada 5 portadores do HCV evoluem com cirrose. Uma vez com cirrose, cerca de 1% a 4% dos pacientes desenvolvem câncer. Entretanto, a hepatite C é uma doença de progressão lenta e pode levar cerca de 20 anos para que a cirrose se instale.

O tratamento, quando necessário, vai depender de uma série de fatores. Isso inclui o tipo do vírus HCV (que pode pertencer a dois genótipos: 1 ou não-1), o funcionamento do fígado e o resultado de uma biópsia para estabelecer se a cirrose está ou não em progressão.

Quando não há cirrose instalada, as chances de eliminação total do vírus do organismo variam entre 30% e 70%, dependendo dotipo de vírus.

Quanto à prevenção, ainda não existe uma vacina contra o vírus HCV, mas existem maneiras de se reduzir o risco de contaminação. O não compartilhamento de seringas ou outros equipamentos perfuro-cortantes entre os usuários de drogas, a prática do sexo seguro através do uso de preservativos nas relações sexuais, o rastreamento adequado de doadores de sangue e programas de informação são essenciais.

Chico Araujo
chicoaraujo@agenciaamazonia.com.br

Fonte:
Agência Amazonia