Secretaria Municipal de Saúde






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Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Sobre Corujas e Eucaliptos



Rubia Pereira Barra

Moro em um bairro residencial, onde a cada dia surgem novos edifícios. No meu quarteirão quase totalmente tomado por prédios nas duas esquinas superiores existiam dois terrenos ainda vagos. A vista da janela de minha cozinha me permitia ver esses dois terrenos. No terreno da direita existia um eucalipto. Era uma árvore frondosa muito antiga segundo alguns moradores que nasceram no bairro, pois me relataram que quando crianças brincavam sobre sua agradável sombra. Era uma arvore imensa, o tronco era esplêndido, grosso e muito elegante. A copa apresentava uma harmonia na distribuição de suas folhas finas e alongadas. Era uma arvore simples, bonita, porém grandiosa, não só pelo tamanho, mas pelo papel que ela representava.

O eucalipto era o lar de bombas, rolinhas e outros diversos tipos de pássaros. As vezes estes moradores fixos, eram visitados por ilustres tucanos. E eu observava o vai e vem desses queridos visinhos. O vento ao balançar suas folhas me acalmava. E eu me acostumei a ter essa arvore como minha companheira principalmente nos finais de semana, quando freqüentava mais minha cozinha com tempo de olhar pela janela. Por muitas vezes pensava que um dia eu não a veria mais, mas nestes momentos ocupava minha mente com outros pensamentos e me punha a observar a magnitude deste ser vegetal e seu papel na preservação da fauna urbana. De repente comecei a ver movimento no terreno que preferia não ter visto. Homens medindo o terreno, caminhões estacionando por perto e meu coração começou a ficar apertado. Neste dia com minha máquina fotográfica tirei várias fotos, pois sabia que em breve para essa arvore não existira o amanhã. Quis DEUS me poupar de ver o eucalipto ser cortado e quando retornei de uma viagem, o terreno lá estava vazio e uma sensação de aridez fez gelar meu coração. E eu fiquei a pensar por onde andaria seus ilustres moradores. Enfim é o progresso, me diriam algumas pessoas menos sensíveis.

No outro terreno do lado esquerdo morava uma família de corujas. Como o terreno era cercado por arame, elas ficavam grande parte do tempo pousada sobre ele, admirando o vai e vem das pessoas que passavam pela calçada. Meu filho Mateus era o que mais dava notícias das corujas, principalmente de uma que ele carinhosamente apelidou de Corujão. Foram anos e anos que nossa família observou as corujas. Já faziam parte de nossa vida. Recentemente cercaram o terreno para construir. Lá se foram os fios de arame e as corujas. Me deu um aperto tão grande no coração quando o Mateus me falou: Mãe e as corujas? Não posso deixar de chorar ao escrever. Nunca pensei que a interferência do homem na vida dessas corujas me deixariam assim e aí me lembrei do querido eucalipto e começo a perguntar se tem mesmo que ser assim. Como conviver com o crescimento inevitável das cidades harmoniosamente com a natureza? Será possível? Não sei responder.

Do eucalipto sei que ficarão só mesmo as lembranças, mas se alguém ver corujas por aí, por favor nos avisem, pois pode ser o Corujão e sua família.

Uberlândia,21 de Agosto de 2012