Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



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Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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sexta-feira, 26 de julho de 2013




Não tem situação mais estranha do que participar de reunião onde não se conhece ninguém. Reunião esta que pode até ser festiva, mas que, curiosamente, são as mais constrangedoras. Você recebe o convite de um grande amigo e sabe que não pode faltar. Pega mal. Lá chegando, meio que sem graça, dá uma volta por todo o ambiente e nada do tal amigo aparecer. Solução: busque uma mesa, a mais afastada possível de tudo e todos, de preferência encostada em alguma parede. Seu campo de visão é vasto e pouco se é notado. Arme-se de um meio sorriso sem graça e fica a observar o movimento. A ansiedade cresce a cada minuto que passa sem que nenhum rosto conhecido apareça, não precisa ser amigo, só conhecido.

Já encontrou com conhecido de Uberlândia em algum lugar do mundo durante viagem? Pode ser no litoral do Nordeste, em Orlando ou Viena. Essas pessoas, que nunca em tempo nenhum lhe dirigiram um aceno que fosse, fazem a maior festa, como se tivessem sido criadas na mesma rua e crescido juntas. Quem de longe observasse ficaria encantado com tanta gentileza e alegria. Pois bem, volte para cá e cruze com estas mesmas pessoas na rua, no clube, no teatro ou em algum restaurante. Baixam os olhos à sua passagem e você volta a ser o desconhecido de sempre, do qual querem a maior distância possível. Juro, nunca entendi esse comportamento bizarro. C’est la vie, penso eu, cada um com seus problemas e esquisitices.

Em reuniões, a situação é quase a mesma. Um rosto conhecido se aproxima e você lá, com sorriso suplicante, recebe um olhar, com certo pouco caso. O máximo! Sente-se em casa e aquele sujeito passa, por alguns segundos, a ser seu maior confidente, conhecedor de todos seus mais profundos segredos. O cara aproxima-se, o cumprimenta nem tão efusivamente e segue caminho. Seu olhar se dirige para o arranjo da mesa, cutuca uma flor, ajeita o vaso. A vontade é de se esconder atrás dele como se fosse moita.

Finalmente chega a bebida e o garçom passa a ser a bola da vez. Ele é o único que vem à sua mesa com
frequência, enche sua taça, troca algumas palavras. O esforço para tratá-lo bem é máximo. Não que queira prioridade em atendimento, mais fartura de bebidas, copo sempre cheio ou maior variedade de folhados e canapés. Nada disso. Você deseja apenas e unicamente companhia.

Aos poucos, a bebida começa a fazer seus loucos e relaxantes efeitos. Nada mais importa. A festa fica linda, onde até arriscar alguns passos na pista de dança acontece. A noite passa, finda e a volta para casa de táxi é doce e feliz. Valeu a pena.

Reuniões de trabalho são mais ou menos assim, quando poucos são os conhecidos. Olhares desconfiados sempre surgem: quem é esse cara a invadir nosso ambiente seguro?

Sou meio arredio para reuniões. Semana dessas, fui representar minha coordenadora em uma. Obviamente conhecia algumas pessoas lá presentes e tinha certo domínio sobre o assunto abordado. Fiquei encantado com a condução. Organização e timming perfeitos. Recado bem dado. Altamente produtiva. Único entrave foi que, marcada para tal hora, só começou bem mais tarde. Faltou pontualidade de alguns.

Mineiramente, já que ali estava como observador, tentei agir como a coruja do português comprada como sendo papagaio. Perguntado se o bicho falava, retrucou: olha, falar, fala não, mas presta uma atenção!





Publicado em Jornal Correio de Uberlândia em 26/07/2013