Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



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Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Saúde


Depois de grande susto, há dois anos, resolvi tomar jeito e cuidar melhor desse invólucro que recebi para passar um tempo aqui na terra. Não que eu fosse de abusar dos prazeres da vida, mas devo dizer que era chegado a alguns dos pecados capitais, em particular: a gula. Comia de tudo e em demasia. Mesmo assim, nunca fui obeso, mas o tal do sobrepeso me incomodava excessivamente. Susto tomado toca a cuidar da saúde. Entrei de cara para trás no modismo das ervas e sementes milagrosas. Parecia canarinho de gaiola que passa a alpiste, painço, osso de siba e jiló. Couvezinha quando em vez.

Como era, digamos, semissedentário, comecei a caminhar. O “semi” fica por conta de minhas andanças de trabalho atrás de escorpião e morcego e do trato de jardim e casa. Devagar no começo, quilômetros poucos, hoje fico entre 10 km a 15 km seis vezes por semana, metade correndo, metade a passos apressados, como o coelho atrasado de Alice. Mas não é das carreiras diárias que quero falar, e sim dos meus alpistes, painços e complementos.

Comecei com linhaça, passei pela chia, tentei girassol, mas este sempre me lembrava um papagaio de minha infância que teve morte trágica, larguei logo. Entrei na onda do noni, até plantei pé da fruta em casa. Alimentação frugal e muito exercício. Tudo ia maravilhosamente bem. Emagreci em excesso e fiquei com cara de doente. Um dia, perguntaram se era anoréxico. Sem problemas, mas a minha bronca ficou com a ciência. Com a mesma rapidez que descobrem e indicam propriedades quase milagrosas de algum alimento, na semana seguinte, outro grupo, em outro lugar, cai de pau mostrando riscos de se consumir aquilo que era a bola da vez.

O ovo é o maior exemplo desse empurra-encolhe: ora faz bem e pode-se comer sem restrição, ora deve nem ser provado, pois mata mais do que formicida Tatu. E olha que nem descobriram quem veio primeiro, se ele ou a genitora galinha.
Noni, milagroso até outro dia, segundo estudos pode causar hepatite fulminante e a transplante de fígado, se usado em demasia. Anvisa pede cautela, o que não nos contam é quanto é o tal demasia. Os ômegas da linhaça não são tão eficientes como os do peixe, diz outro estudo. E a chia chia no bolso, chegando a preço astronômico, depois que virou moda.

Todo dia sai uma história nova. Quem não se lembra da casca de ipê-roxo para curar câncer? Quase levou a pobre espécie à extinção. Volta e meia nos pedem cascavel, pois dizem que a gordura dela cura artrite, artrose, picadas de insetos, gripe, frieira, chulé, caspa e até, se acompanhado de reza brava, tira mau-olhado ou encosto e, se perfumada, arruma casamento. Se começar a correr boato como o da suspensão do Bolsa Família, nossa pobre cobra corre risco de desaparecer de vez.
Larguei mão. Vou à nutricionista, mas, por ora, descobri que a melhor dieta é aquela que sempre comia: bom arroz, feijão, bife e salada. Pelo menos até a próxima publicação ou notícia de jornal provarem o contrário.

Quer saber, enquanto não resolvem se o ovo é mocinho ou bandido, vez por semana, bato um ou dois com arroz branquinho, mas tem que ser de gema mole. Deixo registro e agradecimento ao grande médico e imensidão de amigo/irmão de mais de 30 anos por me apresentar as delícias do caminhar/correr: Luiz Mauro, não é à toa que seu sobrenome é Coelho.





Publicado Jornal Correio em 03/08/2013


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