Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



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Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Atender ou cuidar?



Podem parecer sinônimos, longe disto são. Vamos à didática. Um é verbo intransitivo, outro transitivo. Na gramática de nossa pátria língua, verbo é aquela palavrinha que designa, indica ação, situação ou mudança de estado. Esta definição, por si só, separa bem as duas palavras. Atender é prestar atenção, ter em consideração, zelar de alguma coisa.

Cuidar é bem maior. Vai além. É imaginar, supor, pensar, meditar sobre, ter cuidado, demonstrar interesse.
Bom, serve também para os idólatras quando usado como verbo pronominal.

É de bom alvitre esclarecer que não fui eu que escolhi tais significados. Estão em qualquer bom dicionário. Aquela coleção organizada, em ordem alfabética, de palavras ou outras unidades lexicais que muitos detestam consultar.
Mas deixemos essas chatices linguísticas de lado e vamos ao ponto.

Imagine um filhote de passarinho caído de ninho aquecido em suas mãos protetoras. Você está atendendo a esse serzinho trêmulo em pânico abandono ou está cuidando dele? O atender chega a ser algo frio, se não com ponta de desprezo. Às vezes, uma penosa e irritante obrigação. O cuidar alberga, é holístico, transfere bem-estar e segurança.
Começo para nos definir, servidores públicos da saúde. Nobre função quando aprendemos ou já nasce conosco o prazer pelo cuidar.

Um simples telefonema, trazendo uma angústia, um problema, deve ser cuidado com o carinho que bem merece. Acontece toda hora por aqui. Um morcego, um escorpião ou uma cobra, quanto pânico podem trazer para quem está do outro lado da linha em busca de cuidado, de ajuda em sua aflição. O que para nós é rotina, para quem se depara com os bichos é confronto.

Vamos mais longe. Você gostaria de ser atendido por um médico ou cuidado por este profissional?
Eu escolho o médico cuidador. Aquele que te ampara por completo, que te olha nos olhos e que verdadeiramente te escuta. Arrisco a dizer que, grande parte da cura (ou não) começa na consulta. Se começa por um estranho avaliando outro, não pode dar muito certo. Carece afeto no sentindo amplo da palavra. Aqui, estendo a todos nós servidores públicos, que temos por ofício cuidar das aflições das gentes.

Se dependesse de mim, seríamos chamados de Cuidadores Públicos e com muita honra. Citei médicos, mas falo de todo profissional ligado ao serviço público ou não. Quando aprendemos a cuidar nos tornamos realizados, felizes e completos.

Aquele bom dia sereno seguido do nome do servidor/cuidador que fala ao telefone é o começo de uma relação que pode ser agradável ou um terror. As portas do serviço público são os primeiros contatos. Um rugido mal-humorado coloca o munícipe na defesa. Fecho com palavras do dr. Antonio Carlos Lopes, ex-presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica: “A medicina é humana em sua essência, feita de humanos para seres humanos. Não é possível mais assistir à sua fragmentação em duas medicinas – uma para os pobres e outra para os ricos. Dar e receber assistência médica de qualidade e universal, mais do que um anseio, é um direito de todos.”

A vida deveria nos preparar sempre para cuidar. Quanto a atender? Deixa que a porta eu abro.






Publicado no Jornal Correio em 24 de Agosto de 2010