Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



Saúde, Ciência, Pesquisa, Arte, Cultura, nossa gente da SMS, e o que mais possa interessar.



Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Celular






Saudade do tempo em que celular era apenas um celular. Servia exatamente para o que foi criado, ligar e receber chamadas. Eram imensos, pesados e horrorosos. Algumas pessoas exibidas só andavam com aquele que mais parecia rádio de pilha, dependurado na cintura como se fosse uma arma. As chamadas eram caríssimas e viam-se esnobes da mesa de bar ligar para o balcão, só para pedir mais uma cerveja. Nem precisa dizer que a conta de celular ficava três, quatro, até cinco vezes mais cara do que a despesa do boteco, com boas cervejas e iscas de filé acebolado consumidas.

A velocidade da tecnologia e a miniaturização transformaram os monstrengos em Liliputianas caixinhas falantes. Não, não é palavrão. Caso não conheça, é termo criado no belo livro “Viagens de Gulliver”, do escritor inglês Jonathan Swift (1667-1745), que não é marca de salsicha.

Pequenos, mas ainda telefones e nada de internet, redes sociais e tais. Engano. Alguns mais modernosos já vinham com o jogo da cobrinha, o Snake. Havia o lance de empilhar caixotes, o Stack Attack, o Space Impact. Neste, era você contra todos os invasores do espaço. Para completar, o medo de extraterrestres. Havia o Space Invaders onde o lance era derrubar naves das intergalácticas inimigas.

Apareceu o pré-pago que democratizou o uso do celular. Desconheço atualmente aquele que não tem pelo menos um. Mas se tem um só, pode ter certeza de que tem vários chips. No caminho inverso da liliputização, os celulares atualmente estão cada vez maiores. É a fase “Brobdingnag” ou agigantamento, da segunda viagem de Swift. Fazem coisas que até Deus duvida. Comando de voz, — Ô Celú, me liga aí para fulano de tal. Pimba!

— Já está na linha mestre – falta só responder.

Redes viciantes que acabaram com conversas e rodas de amigos. Idiotizam mentes brilhantes. Câmeras de não sei quantos megapixels, aplicativos e jogos para todos os gostos. Conexões internet de altíssima velocidade, nomes loucos/estranhos que passaram a fazer parte de nosso vocabulário cotidiano: wi-fi, bluetooth, Instagram, download, Browser, Inbox, Jailbreak, Java e por aí afora. Vou poupá-los das pronúncias que ouço por aí quando tentam balbuciar aos novos vocábulos.

Temos hoje celulares que mais parecem tela de televisão. Aliás, para tal servem também. Quanto maior o aparelho, maior o status, pensam alguns. Mal sabem que, ao colocar em exibição sobre a mesa aquele objeto de desejo de tantos, olhos maldosos podem estar preparando furto ou roubo. O mais interessante é que, com tanto recurso e tamanha tecnologia, as pessoas esquecem-se de utilizá-lo para ligar e receber chamadas.

“Na última viagem, Gulliver encontrou os Houyhnhm, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, que representavam os ideais iluministas da verdade e da razão. Os Houyhnhm temiam que alguém dos yahoos (uma raça imperfeita de um tipo de “humanos”) movidas por instintos primitivos, se tornasse culto, satirizando a raça humana. Gulliver vê a humanidade como yahoos e toma nojo do ser humano.”

Prestaram atenção no nome da espécie tão temida pelos inteligentes cavalos. Só para lembrar, “Viagens de Guliver” foi lançado em 1726. Presságio?








Jornal Correio em 10 de Abril 2016