Secretaria Municipal de Saúde






Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.

Artigo Artigo XXV da Declaração Universal de Direitos Humanos



Saúde, Ciência, Pesquisa, Arte, Cultura, nossa gente da SMS, e o que mais possa interessar.



Organizado por William H Stutz

Veterinário Sanitarista

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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Gatos




Gato é um bicho interessante. É que nem pequi, jiló ou dobradinha. Não tem meio termo, pois ou você gosta ou não quer nem vê-lo por perto. Bom, tem sim, já que existem pessoas como eu que conseguem admirar a beleza, a elegância e a independência felina. As variações de pelagens infinitas, as três cores das fêmeas. Se você não sabia, conto. Apenas as fêmeas possuem pelagem tricolor, herança ligada ao sexo em bom genetiquês.

E os olhos? Quanta beleza, profundidade e sensualidade. Não é à toa que mulher bonita é chamada de gata. Pode ser, por motivo outro, ligado ao fogo. Quem não ouviu ou usou a expressão “fogosa que nem gata no cio”?

A relação humanos/gatos é milenar. O bichano já foi adorado como um deus pelos egípcios. Aqui abro espaço para um pouco de cultura inútil, daquelas informações que você jamais vai usar na vida (mas vai que…): “Bastet, a deusa egípcia da fertilidade e do amor materno, era comumente representada por uma mulher com cabeça de gato”. Mas, aí, lá pela bandas da idade média os cristãos resolvem endemonizar o pobre bicho. Muita gente boa foi para a fogueira, taxada de bruxa, pelo simples fato de possuir um gato. Caraca, será que não tinham mais o que fazer não?

Viu só? Quem é que poderia viver sem essa informação? Agora que estamos todos salvos do poço escuro da ignorância, sinto-me mais confiante para continuar a vida. Em minha varanda, tem uma namoradeira secular, daquelas feitas sem prego e as emendas das tábuas preenchidas com cera de abelha. Na minha varanda, sobre a namoradeira, eu tenho um vasinho de cactos, presente de filho.

Pois não é que, de uns dias para cá, em minha varanda, sobre a namoradeira, toda manhã, meu vasinho começou a aparecer tombado? Pedrinhas brancas, que o adornam, espalhadas por todo canto. Seria o vento, pensei sem pensar. Que vento nada. Noite alta chego de manso. Lá, como dono do pedaço, todo esticado, quem encontro? Um lindo gato filhote, desmamado, mas filhote, preto como a mais negra das noites de lua nova e ameaçando chuva, sem estrelas e sem vaga-lumes. Seus olhos esverdeados brilhavam fixos em mim. Levantou-se manso, deu uma bela espreguiçada, desceu flutuando do banco e, em miado choro, veio em minha direção. Passou rente a minhas pernas, pedindo afago. Abaixei e acariciei por longo tempo sedoso pelo. Assim ficamos, no silêncio, em reconhecimento mútuo.

Gatos não são escolhidos, eles escolhem companhias, pois jamais serão de ninguém. Não me atrevo a dizer que serei seu dono, isso nunca. Agora, estamos em fase de namoro. Hoje cedo entrou casa adentro. Delicadamente, eu disse não. Ainda não é hora. E tem mais, quem vai cuidar quando eu viajar? Mas confesso que já está me agradando a ideia dela, é uma feminha, ser minha dona. Estou mesmo precisando de companhia e carinho, isso elas sabem dar. Vamos ver no que vai dar, se for para ser, será.

Bastet aqui citada, não originou “basquete” da NBB – esse papo de Novo Basquete Brasil, é triste. Nossa capacidade infinita de imitar. Tudo isso só para parecer com a NBA gringa.

Bom domingo, no mais Gerais, preguiça felina.







segunda-feira, 11 de abril de 2016

Celular






Saudade do tempo em que celular era apenas um celular. Servia exatamente para o que foi criado, ligar e receber chamadas. Eram imensos, pesados e horrorosos. Algumas pessoas exibidas só andavam com aquele que mais parecia rádio de pilha, dependurado na cintura como se fosse uma arma. As chamadas eram caríssimas e viam-se esnobes da mesa de bar ligar para o balcão, só para pedir mais uma cerveja. Nem precisa dizer que a conta de celular ficava três, quatro, até cinco vezes mais cara do que a despesa do boteco, com boas cervejas e iscas de filé acebolado consumidas.

A velocidade da tecnologia e a miniaturização transformaram os monstrengos em Liliputianas caixinhas falantes. Não, não é palavrão. Caso não conheça, é termo criado no belo livro “Viagens de Gulliver”, do escritor inglês Jonathan Swift (1667-1745), que não é marca de salsicha.

Pequenos, mas ainda telefones e nada de internet, redes sociais e tais. Engano. Alguns mais modernosos já vinham com o jogo da cobrinha, o Snake. Havia o lance de empilhar caixotes, o Stack Attack, o Space Impact. Neste, era você contra todos os invasores do espaço. Para completar, o medo de extraterrestres. Havia o Space Invaders onde o lance era derrubar naves das intergalácticas inimigas.

Apareceu o pré-pago que democratizou o uso do celular. Desconheço atualmente aquele que não tem pelo menos um. Mas se tem um só, pode ter certeza de que tem vários chips. No caminho inverso da liliputização, os celulares atualmente estão cada vez maiores. É a fase “Brobdingnag” ou agigantamento, da segunda viagem de Swift. Fazem coisas que até Deus duvida. Comando de voz, — Ô Celú, me liga aí para fulano de tal. Pimba!

— Já está na linha mestre – falta só responder.

Redes viciantes que acabaram com conversas e rodas de amigos. Idiotizam mentes brilhantes. Câmeras de não sei quantos megapixels, aplicativos e jogos para todos os gostos. Conexões internet de altíssima velocidade, nomes loucos/estranhos que passaram a fazer parte de nosso vocabulário cotidiano: wi-fi, bluetooth, Instagram, download, Browser, Inbox, Jailbreak, Java e por aí afora. Vou poupá-los das pronúncias que ouço por aí quando tentam balbuciar aos novos vocábulos.

Temos hoje celulares que mais parecem tela de televisão. Aliás, para tal servem também. Quanto maior o aparelho, maior o status, pensam alguns. Mal sabem que, ao colocar em exibição sobre a mesa aquele objeto de desejo de tantos, olhos maldosos podem estar preparando furto ou roubo. O mais interessante é que, com tanto recurso e tamanha tecnologia, as pessoas esquecem-se de utilizá-lo para ligar e receber chamadas.

“Na última viagem, Gulliver encontrou os Houyhnhm, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, que representavam os ideais iluministas da verdade e da razão. Os Houyhnhm temiam que alguém dos yahoos (uma raça imperfeita de um tipo de “humanos”) movidas por instintos primitivos, se tornasse culto, satirizando a raça humana. Gulliver vê a humanidade como yahoos e toma nojo do ser humano.”

Prestaram atenção no nome da espécie tão temida pelos inteligentes cavalos. Só para lembrar, “Viagens de Guliver” foi lançado em 1726. Presságio?








Jornal Correio em 10 de Abril 2016